O setor de serviços brasileiro registrou uma expansão de 1,2% na passagem de março para abril, interrompendo uma sequência de quedas e estabilidades. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa Mensal de Serviços. Portanto, o resultado marca a primeira reação expressiva do segmento no ano, impulsionado pela queda nos preços das passagens aéreas.
- Retomada no ano: O crescimento de abril compensou a retração de 1,1% observada no mês anterior e devolveu fôlego à economia.
- Turismo em alta: O índice de atividades turísticas saltou 4,1% no mês, consolidando uma recuperação sólida de 11,2% acima do patamar pré-pandemia.
Queda nas passagens aéreas impulsiona o segmento de transportes
O principal motor para a virada de sinal na economia foi o grupo de transportes, armazenagem e correios. Desse modo, a atividade com maior peso no índice geral garantiu o saldo positivo ao avançar 0,9% no período.
Segundo o IBGE, o transporte aéreo de passageiros subiu 7% após sofrer perdas acumuladas severas nos meses anteriores. De fato, o movimento foi gerado diretamente pela queda de 14,45% no preço das passagens aéreas captada pelo IPCA.
Como o custo das viagens recuou de forma expressiva, o volume de passageiros respondeu imediatamente com uma alta de 2,6%. Contudo, o transporte de cargas seguiu o caminho inverso e registrou uma retração de 0,9% no mesmo mês.
Todas as atividades pesquisadas fecham abril no campo positivo
A recuperação da atividade econômica ocorreu de forma disseminada por todos os cinco grandes grupos de serviços investigados. Afinal, desde os pequenos negócios até as grandes corporações de tecnologia apresentaram melhora no faturamento real.
Os destaques de crescimento setorial na comparação mensal foram:
- Outros serviços: Liderou a expansão com avanço de 2,2%.
- Serviços prestados às famílias: Cresceu 1,4%, englobando hotéis, salões de beleza e restaurantes.
- Informação e comunicação: Registrou alta de 0,5%, impulsionado pelo setor de tecnologia da informação.
- Serviços profissionais e administrativos: Apresentou variação positiva de 0,4%.
Graças a esse desempenho, o setor de serviços brasileiro opera atualmente em patamar elevado, ficando apenas 0,3% abaixo do topo histórico registrado no final do ano passado.
Analistas mantêm cautela sobre a tendência de longo prazo
Apesar do entusiasmo com o indicador de abril, a equipe técnica do IBGE ressalta que o cenário exige cautela dos investidores. Por consequência, ainda não é possível cravar uma mudança definitiva de tendência para uma trajetória de alta consistente.
A volatilidade dos últimos seis meses mostra que o mercado interno trabalha em patamar alto, mas sem uma direção clara de crescimento contínuo. Todavia, o acumulado de 2,9% em doze meses comprova a resiliência do consumo das famílias e a força do mercado de trabalho.
Diante disso, os analistas do mercado financeiro devem monitorar os próximos indicadores para calibrar as projeções do PIB nacional. Assim sendo, o dinamismo dos serviços segue atuando como o principal amortecedor contra a desaceleração de outros setores industriais.
Foto de capa: Fernando Frazão/Ag. Brasil