Tensão no G7: Lula desembarca na França sob a sombra de barreiras comerciais dos EUA e da Europa

O recente veto à carne brasileira pela União Europeia e a ameaça de sobretaxas americanas dominam as expectativas para a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Cúpula do G7. O mandatário brasileiro embarca neste domingo para Évian-les-Bains, na França, onde participa como convidado do fórum que reúne sete das maiores economias industrializadas do planeta, entre os dias 15 e 17 de junho.

O impasse do Pix e as tarifas americanas

Com efeito, o encontro acende o alerta para possíveis interações entre Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump. Isso porque a relação bilateral enfrenta um novo período de desgaste, principalmente após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sinalizar uma taxação de 25% sobre parte das importações vindas do Brasil.

  • A acusação de Washington: O relatório do USTR alega que o sistema Pix prejudica injustamente empresas americanas de pagamentos eletrônicos, como Visa e Mastercard.
  • Segurança pública na mesa: Este será o primeiro contato entre os líderes após os EUA designarem formalmente as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, gerando preocupação no Itamaraty sobre possíveis sanções financeiras.

Agronegócio na linha de frente com a Europa

Outro ponto crítico da agenda internacional envolve a recente decisão da União Europeia de restringir o comércio com o mercado brasileiro. Há uma semana, o bloco oficializou a suspensão das compras de carnes, peixes e mel do Brasil, com validade prevista para iniciar em 3 de setembro.

Esse veto à carne brasileira ocorreu logo após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, surpreendendo o corpo diplomático de Brasília. Representantes do Ministério das Relações Exteriores classificaram a medida como preocupante e pretendem levar o descontentamento aos líderes europeus durante o evento.

Agenda asiática e reformas globais

Se os encontros com Trump e Ursula von der Leyen continuam indefinidos, a agenda com o Japão já está lacrada. Lula se reunirá com a primeira-ministra Sanae Takaichi para abrir negociações de um futuro acordo comercial entre o país asiático e o Mercosul.

Durante as sessões deliberativas do G7, a comitiva brasileira focará em três discursos principais:

  1. Desenvolvimento: Cobrança pela ampliação de repasses financeiros dos países ricos para nações vulneráveis.
  2. Reforma Institucional: Defesa de mudanças estruturais na governança da ONU e da Organização Mundial do Comércio (OMC).
  3. Tecnologia: Participação em debates focados na regulamentação global da inteligência artificial.

O que esperar: o impacto no mercado nacional

Diante disso, o empresário e o investidor brasileiro devem se preparar para um cenário de maior volatilidade nos próximos dias. Portanto, os setores ligados ao agronegócio e às exportações tendem a sofrer maior pressão na Bolsa de Valores. Assim como o mercado de câmbio pode apresentar oscilações no valor do dólar.

Ademais, a recomendação de analistas para o curto prazo é focar na proteção de caixa e monitorar de perto os desdobramentos na França. Dessa forma, será possível antecipar barreiras alfandegárias e proteger as margens de lucro contra as decisões do G7.

Foto de capa: Ricardo Stuckert/PR/Ag. Brasil