A instabilidade no Oriente Médio pressiona o preço do petróleo hoje após o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, ameaçar suspender o acordo histórico com os Estados Unidos. Com efeito, a declaração ocorreu neste domingo (14), poucas horas antes da assinatura de um memorando decisivo que poderia normalizar o tráfego marítimo global. Isso porque o governo de Teerã reagiu duramente a um recente ataque das forças de Israel na região metropolitana de Beirute, no Líbano.
Escalada militar e ameaça aos ativos americanos
De acordo com as autoridades de Israel, as forças armadas atingiram um centro de comando na capital libanesa, resultando em pelo menos uma morte confirmada. Por consequência, Ghalibaf elevou o tom diplomático e afirmou que a continuidade das tratativas perdeu completamente o sentido.
- Alvos militares: O Irã sinalizou que pode entrar em confronto direto e atacar bases que abrigam tropas americanas no Oriente Médio.
- Retaliação prometida: Além disso, parlamentares do comitê de segurança nacional iraniano prometeram uma resposta imediata, classificada por eles como dolorosa.
- O acordo travado: A tensão paralisa o “Memorando de Islamabad”, que vinha sendo mediado pelo Catar e previa o fim das sanções ao petróleo iraniano.
Otimismo da Casa Branca entra em xeque
Embora o presidente Donald Trump tenha declarado no sábado (13) que o acordo estava pronto, a Guarda Revolucionária do Irã negou qualquer cronograma fixo. Contudo, o governo dos Estados Unidos manteve uma postura otimista e garantiu o interesse em concluir o memorando internacional. Afinal, o embaixador americano na ONU reiterou o apoio ao direito de autodefesa de Israel, mas confirmou que novas rodadas de conversas bilaterais estão previstas para a semana de 22 de junho.
Estreito de Ormuz volta ao centro das atenções
Como resultado desse impasse, o mercado de energia internacional acendeu o sinal de alerta máximo. Isto ocorre porque o Estreito de Ormuz é o principal corredor marítimo do planeta, por onde escoa cerca de 20% de todo o insumo consumido no mundo.
Anteriormente, a expectativa de um desfecho diplomático favorável entre Washington e Teerã havia aliviado as cotações internacionais. Por exemplo, o barril do tipo Brent havia recuado mais de 4% na última sexta-feira (12), fechando abaixo da marca de US$ 86,5. No entanto, projeções da agência americana de informação energética indicam que o colapso definitivo nas negociações deve impulsionar novos picos de preço na commodity.
O que esperar: o impacto para investidores e empresários brasileiros
Diante desse cenário de extrema incerteza, o empresário e o investidor brasileiro devem se preparar para uma semana de forte aversão ao risco no mercado nacional. Portanto, a tendência imediata é que a instabilidade internacional pressione o preço do petróleo hoje nas bolsas estrangeiras, o que impacta diretamente as ações de gigantes nacionais do setor energético, como a Petrobras.
Ademais, esse encarecimento global da energia costuma acelerar as expectativas de inflação doméstica. Dessa forma, o Banco Central do Brasil pode ser forçado a manter uma postura mais rígida na condução da taxa de juros Selic. Assim sendo, a recomendação principal para as empresas brasileiras é a proteção de caixa de curto prazo e o monitoramento rigoroso do câmbio, já que o dólar tende a atuar como porto seguro global nestes momentos de crise.
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