Orçamento para 2027 prevê superávit inédito

A equipe econômica projeta que o orçamento para 2027 entregará um superávit primário pela primeira vez em dez anos. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (17) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante audiência comissional na Câmara dos Deputados. A meta central estipula um saldo positivo de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o que equivale a cerca de R$ 73 bilhões nos cofres públicos.

  • A promessa: “Vamos entregar o orçamento ano que vem com superávit fiscal pela primeira vez em uma década”, destacou Durigan.
  • O contexto: Este será o primeiro ano fiscal sob a vigência do novo mandato presidencial.

O bastidor fiscal: acordo prévio blinda o superávit

A trajetória otimista desenhada pelo Ministério da Fazenda ganhou sustentação real graças a uma articulação política concluída nesta terça-feira (16). Em um acordo estratégico, o Governo retirou a urgência da PEC da Escala 6×1. Em troca, o presidente da Câmara, Hugo Motta, assumiu o compromisso de engavetar as pautas-bomba que ameaçavam o caixa da União.

Como resultado desse pacto, propostas como o perdão de dívidas rurais de R$ 140 bilhões e a criação de novos pisos salariais para médicos e cirurgiões-dentistas do SUS foram congeladas por tempo indeterminado.

Portanto, quando o ministro Dario Durigan apresentou as metas do Orçamento de 2027 nesta quarta-feira, o terreno no Congresso já estava pacificado. O sucesso do planejamento agora depende da manutenção desse acordo de cavalheiros no restante do ano.

2027 dependerá diretamente da capacidade de articulação do governo no Congresso. O desafio será negociar a votação de projetos e vetos para conter o avanço dessas despesas extras no parlamento.

Inflação sob monitoramento e o avanço dos investimentos

Durante a sessão, os parlamentares também questionaram Durigan sobre a resiliência dos preços domésticos. O relatório Focus mais recente mostrou que as projeções de inflação subiram pela 14ª semana consecutiva, atingindo 5,30%.

Apesar do cenário de alerta, o ministro assegurou que o indicador permanece sob controle. Ele enfatizou que a geração de 5,1 milhões de empregos e a expansão da atividade econômica acompanham a carestia.

  • Atração de capital: A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede o nível de investimentos produtivos no país, avançou 3,5% no primeiro trimestre.
  • Resistência técnica: O governo celebrou o resultado da FBCF, apontando que o setor produtivo continuou investindo mesmo diante das taxas de juros elevadas.

Comércio com EUA recua sob impacto de tensões no Irã

O ministro da Fazenda aproveitou o espaço para lamentar o enfraquecimento comercial entre o Brasil e os Estados Unidos. A participação americana na balança comercial brasileira encolheu de 12% em 2023 para os atuais 9%, motivada por atritos diplomáticos recentes.

Em contrapartida, o governo celebrou o fortalecimento das exportações para mercados alternativos, com destaque para a China e o Vietnã. Além disso, o Palácio do Planalto aposta no andamento do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul para compensar as perdas.

Por fim, ao avaliar os impactos econômicos da guerra no Irã, Durigan descartou qualquer risco de desabastecimento interno. O chefe da Fazenda admitiu pressões inflacionárias, mas pontuou que o reajuste de 6% a 10% na gasolina e de 15% no diesel está sendo combatido pela gestão federal.

Foto de capa: Ag. Brasil