Preço dos fertilizantes no Brasil recua, mas nova tensão em Ormuz acende alerta

O recuo recente no preço dos fertilizantes no Brasil trouxe alívio temporário ao mercado do agronegócio, mas o fechamento anunciado do Estreito de Ormuz acendeu o alerta máximo. De fato, a Guarda Revolucionária do Irã declarou o bloqueio imediato da via marítima neste sábado. No entanto, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) contesta a informação e garante que o tráfego de navios comerciais flui normalmente.

O que está acontecendo

  • Choque geopolítico: Teerã suspendeu o trânsito naval após bombardeios de Israel no sul do Líbano violarem o pacto de cessar-fogo desenhado com Washington.
  • Versão americana: O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, negou a interrupção física do canal e citou a passagem segura de navios nas últimas horas.
  • Impasse na Suíça: O atrito militar congela as negociações diretas de paz conduzidas por comitivas de Donald Trump e emissários iranianos em território suíço.

Por que os preços caíram e o risco que o agro corre

Até ontem, a cotação global da ureia e de outros insumos derretia com o otimismo diplomático e a volta das exportações da China. Como consequência, o preço dos fertilizantes no Brasil registrou trajetória descendente no porto de Paranaguá, enquanto produtores aguardavam o teto mínimo de queda. Contudo, analistas apontam que a nova ameaça psicológica interrompe essa tendência e recoloca o mercado agrícola sob extrema volatilidade.

Mesmo se o bloqueio físico for evitado, o gargalo logístico no Golfo Pérsico atrasará a entrega de mais de 40 navios carregados com defensivos. Adicionalmente, o escoamento de petróleo e gás recebe prioridade máxima internacional, empurrando as cargas agrícolas para o fim da fila de despacho. O mercado de enxofre preocupa bastante, pois metade do volume global transita por Ormuz e os preços já dobraram.

Finalmente, a vulnerabilidade do agronegócio brasileiro diante dessa crise internacional continua elevada. Atualmente, o país importa entre 80% e 85% dos nutrientes que consome em suas lavouras. Dado que o Golfo Pérsico fornece quase 30% da ureia nacional, a instabilidade ameaça diretamente as margens financeiras das safras de milho e cana-de-açúcar.

Foto de capa: Pexels