O consumo de cerveja na Copa do Mundo atingiu um patamar inédito, transformando o torneio no “segundo Carnaval” das cervejarias brasileiras em 2026. A combinação estratégica de jogos realizados em horário noturno e a forte mobilização do público alavancaram o faturamento do varejo nacional. Atualmente, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) projeta uma receita recorde de R$ 2,42 bilhões apenas para bares e restaurantes durante o período do mundial.
- Crescimento setorial: O faturamento do setor de alimentação fora do domicílio está registrando uma alta estimada de 15,7% em relação ao Mundial de 2022.
- Economia aquecida: O SPC Brasil estima que R$ 61 bilhões circulem na economia nacional com gastos diretos ligados ao torneio.
- Tíquete médio: O consumidor brasileiro desembolsa, em média, R$ 619,00 com produtos e serviços vinculados ao evento.
Volume global e a disparada do delivery
O otimismo financeiro reflete números globais robustos. Assim, o banco de investimentos Jefferies estima que o mundo consumirá 1 bilhão de copos extras — cerca de 568 milhões de litros — durante os 39 dias do torneio. Por consequência, esse volume representa um salto sazonal de 3% nas vendas globais da categoria de bebidas.
No Brasil, o consumo de cerveja na Copa do Mundo também movimenta com força as plataformas digitais. Dados extraídos da estreia da Seleção Brasileira mostram que os pedidos de bebidas via delivery cresceram 63% frente às semanas normais. Além disso, o segmento de cervejas premium segue ganhando tração e já responde por 25% de todo o volume comercializado no país.
O “efeito Ambev” e a consolidação do mercado
O sucesso comercial reflete diretamente no mercado de capitais brasileiro. A Ambev adicionou R$ 40 bilhões ao seu valor de mercado na B3 apenas no primeiro semestre, impulsionada pelo alinhamento estratégico do seu portfólio. Segundo o CEO da companhia, Carlos Lisboa, a Copa trará um impacto positivo de até 0,4 ponto percentual no crescimento de volume da indústria de cerveja no Brasil ao longo deste ano.
A disputa pelo paladar do consumidor reflete uma guerra de foice entre os gigantes do setor, especialmente na categoria premium. As cervejarias investem pesado em combos de jogos para garantir presença nos lares e nos estabelecimentos comerciais, visando capturar a atenção de um consumidor cada vez mais exigente quanto à qualidade e variedade.
A ascensão surpreendente da cerveja sem álcool
Contudo, a grande surpresa desta edição reside na mudança de hábitos do consumidor. Um levantamento do Mercado Livre identificou um crescimento impressionante de 985% nas buscas por cervejas zero álcool em comparação com a pré-Copa de 2022.
Esse movimento indica uma guinada para o consumo moderado e atrai fortemente o público jovem. O dado reforça a estratégia das empresas em diversificar o mix de produtos, consolidando a opção “zero” como um pilar de sustentabilidade e crescimento para o ecossistema de bebidas. Dessa forma, o mercado demonstra uma adaptação rápida às novas tendências de saúde e bem-estar, mantendo a relevância das marcas durante os eventos esportivos globais.
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