Gargalo logístico e câmbio travam exportações de milho em 2026 mesmo com projeção de supersafra

As exportações de milho em 2026 enfrentam barreiras severas, impedindo que o avanço da produção se traduza em recordes nos portos brasileiros. Mesmo com o Rabobank elevando a estimativa da safra nacional para 138 milhões de toneladas, o escoamento segue limitado. Diante disso, o clima regular no Centro-Oeste garantiu a produtividade, mas a logística não acompanhou o ritmo.

  • Supersafra confirmada: O Rabobank elevou a previsão da safra em 1 milhão de toneladas devido ao clima favorável.
  • Barreiras logísticas: O aumento da oferta no campo colide frontalmente com a baixa eficiência da infraestrutura nacional.

Movimento defensivo e custos logísticos

As exportações de milho em 2026 devem recuar para cerca de 39 milhões de toneladas, frustrando as expectativas de crescimento do setor. Por conseguinte, as trading companies adotam uma postura cautelosa devido aos custos portuários elevados. Nesse sentido, a combinação de ampla oferta internacional e oscilações cambiais retira a atratividade dos embarques. Além disso, a escalada nos preços do frete rodoviário inviabiliza margens competitivas para o produtor. Desse modo, o grão acaba represado no mercado interno brasileiro.

Portanto, o excedente doméstico gera um efeito rebote importante para a economia local. Como o escoamento externo enfrenta entraves, a oferta abundante pressiona os preços internos para baixo. Por fim, indústrias de confinamento animal e usinas de etanol de milho beneficiam-se diretamente dessa pressão deflacionária no mercado doméstico.

O que os investidores devem observar

O cenário externo exige monitoramento constante, especialmente pela concorrência agressiva de Estados Unidos e Argentina. Afinal, esses países disputam avidamente os mercados asiáticos, reduzindo o espaço do produto brasileiro. Por essa razão, os investidores devem observar a gestão de travas e a comercialização antecipada pelo produtor. Diante disso, o fluxo de escoamento dependerá estritamente de janelas de oportunidade no câmbio. Ademais, a viabilidade logística a longo prazo permanece atrelada aos investimentos na infraestrutura rodoferroviária nacional. Em suma, a prudência operacional ditará a rentabilidade do setor diante das adversidades globais.

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