IPCA sobe 0,82% em setembro pressionado por energia e alimentos

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,82% em setembro, impulsionado majoritariamente pelo encarecimento da energia elétrica e pela reversão nos preços dos alimentos.

O resultado, divulgado nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), veio consideravelmente acima da mediana das projeções coletadas pela agência Reuters, que apostavam em um avanço de 0,73%.

Com o resultado mensal, o indicador acumulado em 12 meses atingiu 4,58%. A taxa ultrapassa o teto da meta contínua perseguida pelo Banco Central, fixada em 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima (4,5%). No acumulado do ano, a alta já soma 3,95%.

Energia elétrica e transportes lideram as pressões de custo

O principal motor da inflação no mês veio do grupo Habitação, que disparou 2,31%. O salto foi provocado pelo encarecimento de 7,98% na energia elétrica residencial, reflexo direto do fim do “Bônus de Itaipu”, que havia gerado créditos nas faturas de agosto.

O setor de Transportes também pesou no orçamento das famílias, registrando alta de 0,89%. O resultado refletiu tanto o reajuste expressivo de 9,66% nas passagens aéreas quanto a alta generalizada nos combustíveis (1,41%), com destaque para o etanol (3,16%), o diesel (1,69%) e a gasolina (1,21%).

Alimentos voltam a subir e puxam o custo de vida

Depois de três recuos consecutivos, o grupo Alimentação e bebidas voltou a registrar variação positiva em setembro, subindo 0,83%.

A alimentação consumida no domicílio avançou 0,96%, pressionada por altas sazonais expressivas em itens de peso na mesa dos brasileiros, como o tomate (37,76%), a batata-inglesa (24,07%), a cebola (10,14%) e o arroz (4,56%). No segmento de alimentação fora de casa, a alta foi de 0,48%, puxada pelo encarecimento das refeições.

Diante desse cenário de pressões difusas, o mercado financeiro já revisou as expectativas para a inflação futura. A edição mais recente do Boletim Focus aponta que a projeção para o IPCA no fechamento de 2026 subiu para 5,01%, marcando a terceira semana consecutiva de revisões para cima. Para 2027, a mediana das estimativas está ancorada em 4,30%.

Pontos importantes

A aceleração do IPCA acima do teto da meta exige atenção. As expectativas do Boletim Focus deterioraram o horizonte de política monetária. A alta em custos essenciais como energia e alimentos pressiona as margens. As empresas precisam redobrar o rigor na repassagem de preços.

Em um cenário de juros resilientes, proteger o capital de giro é vital. Antecipar riscos macroeconômicos garante a competitividade das companhias.

Foto: Ag. Brasil