Indústria brasileira enfrenta aperto na hora de obter crédito de longo prazo

O acesso ao crédito de longo prazo tornou-se um desafio ainda maior para a indústria brasileira. Pesquisa divulgada nesta sexta-feira (9) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que 37,2% das empresas que tentaram contratar ou renovar financiamentos de longo prazo saíram de mãos vazias entre fevereiro e julho. O percentual representa uma alta em relação aos 33% registrados em 2025.

O levantamento, realizado com 1.701 indústrias de pequeno, médio e grande porte, expõe que as pequenas e médias empresas sofrem o maior impacto. Quase metade desse grupo (48,2% das pequenas e 48,1% das médias) que buscou recursos de longo prazo não obteve aprovação, enquanto entre as grandes o índice ficou em 29,9%. No total, metade do setor industrial optou por nem tentar buscar financiamentos devido às barreiras do mercado.

Juros altos e exigência de garantias sufocam o crédito

O principal vilão por trás da escassez de recursos continua sendo o patamar elevado das taxas de juros. Entre as companhias que enfrentaram dificuldades em operações de curto ou médio prazo, 76% apontaram os juros como a principal barreira. Nos financiamentos de longo prazo, o índice alcançou 68,9%.

Além do custo do dinheiro, as exigências rigorosas de garantias reais, como a alienação de imóveis, emperram as negociações. Esse obstáculo foi citado por 33,4% das empresas no crédito de curto e médio prazo, e por 31,5% nas linhas de longo prazo.

Diante do cerco financeiro, o destino dos recursos também acende um alerta vermelho para a gestão das companhias. Surpreendentemente, o capital de giro foi apontado como a principal finalidade (28,7%) entre as indústrias que buscaram crédito de longo prazo. O índice superou os investimentos produtivos tradicionais, como a aquisição de máquinas e equipamentos (23,6%) e obras civis (11,6%).

Especialistas da CNI destacam que usar crédito de longo maturação para pagar salários e insumos cotidianos revela um desvio de função perigoso. O recurso de longo prazo deveria financiar expansão estrutural, mas acaba sufocado para cobrir o caixa de curto prazo.

Pontos importantes

A dificuldade crônica da indústria para acessar crédito de longo prazo e a recorrente queima de recursos para custear o capital de giro revelam um cenário de forte estresse financeiro. O ambiente de juros elevados e restrição bancária exige revisões drásticas nas estratégias de alavancagem e na gestão de liquidez.

Monitorar a resiliência do caixa operacional e evitar a rolagem de dívidas caras tornam-se diferenciais estratégicos para blindar a margem e garantir a solvência das companhias diante do aperto monetário prolongado.

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