A regulamentação do etanol na navegação comercial pode abrir um novo mercado consumidor de até 20 bilhões de litros para os produtores brasileiros até 2030. O Ministério de Minas e Energia (MME) iniciou tratativas com representantes do setor sucroenergético para definir normas sobre a adição do biocombustível ao óleo bunker, combustível fóssil tradicionalmente empregado na frota marítima.
Adicionalmente, a pasta pretende encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei focado em metas compulsórias para combustíveis sustentáveis de navegação. A iniciativa visa alinhar o Brasil às diretrizes internacionais de descarbonização em debate na Organização Marítima Internacional (IMO).
Expansão da frota global e conversão tecnológica
A transição energética no setor aquaviário já mobiliza armadores em todo o mundo. A indústria naval registra encomendas de 336 embarcações preparadas para operação com metanol ou etanol, com entregas previstas até o final da década.
A adaptação dessas embarcações para o biocombustível brasileiro exige alterações pontuais nos softwares operacionais e nos bicos injetores. Simultaneamente, multinacionais e grandes operadoras logísticas realizam testes práticos com o renovável em portos estratégicos, como Santos e Roterdã.
Potencial do mercado interno e disputas geopolíticas
A mistura proporcional de 10% de etanol ao bunker marítimo gerará uma demanda adicional de cerca de 50 bilhões de litros no longo prazo. Contudo, o ritmo de adoção global enfrenta barreiras geopolíticas impostas por grandes nações produtoras de petróleo.
Além disso, os parâmetros definitivos para a navegação sustentável dependem do posicionamento e das votações regulatórias no âmbito da Organização Marítima Internacional.
Pontos relevantes
- Adequação da capacidade produtiva: Mapear os investimentos necessários para atender ao aumento da demanda no setor aquaviário.
- Monitoramento regulatório internacional: Acompanhar as deliberações da Organização Marítima Internacional para antecipar exigências de conformidade.
- Projeção de logística portuária: Avaliar a infraestrutura de armazenagem e transbordo de etanol nos principais complexos portuários do país.
- Planejamento de hedge e comercialização: Estruturar contratos de fornecimento de longo prazo para mitigar a volatilidade das cotações de combustíveis marítimos.
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