A rede de churrascarias Fogo de Chão vive uma transformação profunda no seu modelo de negócios. A marca flexibilizou o rodízio tradicional para atrair novos perfis de consumidores.
A estratégia busca acompanhar mudanças de hábitos alimentares e o avanço da cultura wellness. A informação foi revelada pelo diretor-geral no Brasil em entrevista à Bloomberg Línea.
A empresa prevê atingir faturamento global de US$ 1 bilhão nos próximos meses. O crescimento é impulsionado por uma expansão acelerada nos Estados Unidos.
Diversificação de formatos reduz dependência do espeto corrido
O tradicional rodízio completo não reina mais sozinho nos salões da rede. A empresa passou a oferecer opções à la carte, pratos individuais e até hambúrgueres.
As novas opções atraem cerca de 20% dos clientes nas unidades brasileiras. A flexibilização atinge desde consumidores com apetite menor até quem busca cortes específicos.
O movimento responde diretamente à popularização de medicamentos inibidores de apetite, como o GLP-1 (classe do Ozempic e Wegovy). Como esses fármacos aumentam a sensação de saciedade, o público passa a consumir porções menores, o que afasta parte dos clientes do conceito de comer à vontade.
Expansão americana lidera crescimento do grupo controlado pela Bain Capital
Controlada pelo fundo Bain Capital, a rede opera hoje 128 unidades no mundo. Quase uma centena de restaurantes está localizada nos Estados Unidos.
O plano atual prevê a abertura anual de até 20 unidades próprias no mercado americano. No Brasil, o ritmo é de até duas novas aberturas por ano.
O mercado americano já concentra a maior fatia do faturamento e dos funcionários. Com isso, a companhia se consolida como uma operação global de origem brasileira.
Inteligência artificial e eficiência operacional sustentam margens
A gestão da Fogo de Chão utiliza modelos de inteligência artificial na rotina financeira. A tecnologia analisa planilhas e sugere otimizações no orçamento e processos.
O controle rigoroso do custo das mercadorias evita o desperdício de insumos no salão. A precisão no corte e no preparo garante a rentabilidade das operações.
O treinamento rigoroso dos funcionários também sustenta a padronização das lojas internacionais. Centenas de famílias brasileiras foram levadas aos Estados Unidos para liderar equipes locais.
Pontos relevantes para o mercado
- Faturamento bilionário: A rede deve superar a marca de US$ 1 bilhão em receita global.
- Mudança no perfil de consumo: Novas opções de cardápio atendem clientes que não buscam o rodízio tradicional.
- Foco no mercado externo: A expansão internacional nos EUA representa o maior motor de receita da marca.
- Gestão com tecnologia: Uso de modelos de inteligência artificial para otimização de custos e margens operacionais.
Com informações da Bloomberg Línea • Foto: Reprodução