Veto da UE à carne brasileira e cautela global mudam rumo do mercado de ações hoje

O mercado de ações hoje virou o rumo e passou a operar em queda firme no final da manhã desta segunda-feira. Atualmente, o índice Ibovespa sofre forte pressão negativa e desaba para a casa dos 168 mil pontos, ignorando o alívio temporário nas tensões geopolíticas globais. A reversão do otimismo foi provocada por uma notícia interna de forte impacto para o agronegócio nacional.

  • O estopim da queda: A União Europeia formalizou o veto à carne brasileira, disparando ordens de venda no setor de proteína animal.
  • Contrapeso: Por outro lado, as ações da Petrobras sobem e evitam um tombo ainda maior do índice geral.

O tombo dos frigoríficos anula o otimismo com o Oriente Médio

Nas primeiras horas do dia, o cenário internacional desenhava uma manhã de ganhos após o Irã sinalizar uma pausa nos ataques contra Israel. Contudo, o anúncio das sanções europeias contra os produtos brasileiros mudou completamente a trajetória dos negócios por aqui.

Como consequência direta, os papéis de gigantes do setor de frigoríficos, como Minerva e MBRF, despencaram mais de 2% logo na abertura. Esse movimento doméstico superou o apetite por risco (disposição de investidores para aplicar dinheiro em ativos mais voláteis na busca por retornos maiores) visto nas bolsas de Nova York.

Diante disso, a moeda norte-americana também mudou de direção e passou a subir, sendo cotada a R$ 5,19. Portanto, o fluxo de capital estrangeiro recuou no mercado local, mesmo com Wall Street registrando forte alta puxada por empresas de tecnologia e inteligência artificial.

Commodities e o comportamento do investidor no curto prazo

Os analistas do Morgan Stanley apontam que as oscilações globais fazem parte de um ajuste saudável dos preços após as altas recentes. Com efeito, o preço do petróleo internacional desacelerou os ganhos com o recuo militar no Oriente Médio, enquanto as criptomoedas ensaiam recuperação.

No cenário interno, o investidor agora calibra suas carteiras avaliando a extensão dos danos do embargo europeu para o PIB do agronegócio. Como resultado, o mercado de ações hoje deve encerrar o dia pautado pelo cabo de guerra entre o alívio externo e a crise de exportação dos frigoríficos.

Foto de capa: B3