Empresas mapeiam locais para criar rede de “carros voadores” em São Paulo

O mercado de transporte aéreo urbano estuda os primeiros pontos de pouso para “carros voadores” na Região Metropolitana de São Paulo. A estratégia de infraestrutura prevê a criação de uma rede inicial com cinco a dez vertiportos até 2028.

Conforme noticiamos recentemente na cobertura sobre os avanços tecnológicos de veículos elétricos de alta performance, a transição para modelos de mobilidade aérea urbana exige planejamento logístico e integração entre polos financeiros.

Estudos conduzidos pela PAX Aeroportos e UrbanV identificaram áreas estratégicas para conectar polos corporativos e aeródromos. Mapeamentos prioritários incluem regiões como Faria Lima, Berrini, Alphaville, Expo Imigrantes e Campo de Marte.

Modelo de negócios prioriza infraestrutura enxuta para conter custos

A estruturação inicial busca aproveitar instalações existentes para minimizar aportes de capital e evitar o encarecimento das tarifas. Investimentos excessivos em infraestrutura poderiam comprometer a viabilidade econômica do serviço nos primeiros anos.

Estimativas operacionais indicam que cada aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical (eVTOL) deverá realizar cerca de sete viagens diárias. A cobrança de tarifas acessíveis é considerada fundamental para garantir a tração da demanda corporativa.

No aspecto energético, os terminais exigirão entre 1 e 4 megawatts de potência para a recarga das frotas. Especialistas apontam que o principal gargalo não é a geração de energia, mas a velocidade de adaptação do acesso às redes elétricas urbanas.

Certificação internacional e regras de zoneamento definem o ritmo do setor

A ausência de modelos comercialmente certificados permanece como o principal obstáculo para a validação final dos custos operacionais. A expectativa dos operadores é que a liberação de aeronaves nos Estados Unidos acelere a validação pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Paralelamente às aprovações regulatórias da aviação civil, o avanço do setor depende de revisões nas legislações municipais de uso do solo. As prefeituras precisarão adaptar regras de zoneamento para autorizar a operação de vertiportos em áreas urbanas densas.

A preparação para os novos veículos inclui também simulações de segurança e combate a incidentes com baterias de grande porte. O ecossistema brasileiro de aviação avança nas etapas preliminares para viabilizar as primeiras operações comerciais na próxima década.

Informações relevantes para o mercado

  • Capacidade inicial: Mapeamento prevê malha mínima de 5 a 10 vertiportos conectando centros de negócios em São Paulo.
  • Projeção de uso: Média estimada de 7 viagens diárias por aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical (eVTOL).
  • Demanda de energia: Terminais de recarga demandarão de 1 MW a 4 MW de potência instalada.
  • Prazo regulatório: Expectativa de certificações e testes operacionais estruturados a partir de 2028.

Com informações do Estadão • Imagem: Feed Econômico/Reprodução IA