Energia solar com baterias pode reduzir custos e colocar Brasil no topo global da competitividade

A combinação de energia solar com baterias de armazenamento promete transformar a matriz elétrica brasileira e reduzir o custo do fornecimento nos próximos anos. Segundo projeções da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), a expansão dessas tecnologias integradas pode baratear a energia firme no país para cerca de US$ 41 por megawatt-hora (MWh) até 2035.

Essa estimativa coloca o Brasil entre os mercados energéticos mais competitivos e eficientes do mundo. Com a evolução dos sistemas de armazenamento, a eletricidade gerada durante os picos de insolação pode ser acumulada e distribuída nos horários de maior demanda da população e das indústrias.

Consequentemente, o modelo resolve o grande gargalo da intermitência das fontes renováveis. Com preços equivalentes aos de Omã e superando potências como Estados Unidos, Austrália e Índia, o país se consolida na vanguarda da transição energética limpa.

Queda drástica no custo de armazenamento impulsiona setor

A grande virada de chave para o setor fotovoltaico vem da rápida desvalorização das baterias em escala industrial. Dados da IRENA revelam que o custo global desses equipamentos despencou 93% em catorze anos, caindo de US$ 2.634 para US$ 197 por quilowatt-hora (kWh).

Com componentes mais acessíveis, guardar o excedente de energia solar deixou de ser um obstáculo financeiro. Na China, por exemplo, a solução combinada de solar com armazenamento já apresenta custo inferior à geração tradicional por usinas a carvão e a gás natural.

O indicador de custo nivelado demonstra que o Brasil possui irradiação solar privilegiada para extrair a máxima eficiência desses sistemas. Por isso, a atratividade do modelo atrai o interesse de grandes investidores internacionais e desenvolvedores de projetos de infraestrutura.

Alívio no sistema elétrico e novas oportunidades de investimento

Para a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), a chegada massiva das baterias traz flexibilidade operacional inédita ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A tecnologia alivia a sobrecarga nas redes de transmissão nos momentos de pico de consumo.

Além de otimizar a infraestrutura existente, o armazenamento facilita a integração de novas indústrias e data centers à rede elétrica. Com isso, o país ganha margem de manobra para crescer sem depender do acionamento de usinas termelétricas poluidoras e mais caras.

Lideranças do setor destacam que a regulação adequada desse mercado será o próximo passo decisivo. Assim que o arcabouço normativo for consolidado, o país estará pronto para atrair bilhões em investimentos em soluções renováveis de ponta.

Informações relevantes para o mercado

  • Custo competitivo: Projeção da IRENA aponta tarifa de US$ 41/MWh para energia solar com baterias no Brasil até 2035.
  • Barateamento das baterias: Custo global de armazenagem caiu 93% no período de 2010 a 2024.
  • Projeção internacional: Brasil fica no mesmo patamar de Omã e à frente de EUA (US$ 59/MWh) e Índia (US$ 47/MWh).
  • Eficiência do sistema: ABSOLAR destaca flexibilidade operacional e redução de gargalos na rede de transmissão nacional.

Com informações da Times Brasil • Foto: Magnific