Redução da jornada de trabalho pode custar R$ 267 bilhões para a indústria, diz Firjan

A redução da jornada de trabalho no país pode gerar um impacto bilionário e elevar drasticamente os custos de produção nacional. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro divulgou uma análise técnica sobre a Proposta de Emenda Constitucional 221. Portanto, a entidade patronal projeta um acréscimo de R$ 267 bilhões em despesas para as fábricas brasileiras caso a medida avance.

  • Repasse ao consumidor: A pressão sobre a folha de pagamento deve provocar uma alta média de até 6% nos preços dos produtos.
  • Pequenos negócios: As microempresas correm o maior risco operacional por concentrarem o maior volume de empregos com carteira assinada no país.

Negociação coletiva já flexibiliza o mercado de trabalho na prática

O posicionamento do setor produtivo não visa bloquear a modernização das leis trabalhistas ou impedir melhorias no bem-estar da sociedade. Desse modo, o foco dos empresários está voltado para o equilíbrio financeiro dos contratos de trabalho em vigor.

Atualmente, a legislação brasileira estabelece o teto de 44 horas semanais para as jornadas regulares. De fato, levantamentos recentes mostram que a média real no mercado nacional já se consolidou em 39 horas semanais.

Esse dado comprova que os sindicatos e as empresas já encontram soluções flexíveis de maneira autônoma. Por consequência, a imposição de uma regra única via Constituição pode engessar as características operacionais de cada segmento industrial.

Entidades apontam PEC alternativa como caminho mais seguro

Para evitar uma crise de competitividade, a bancada empresarial no Congresso Nacional declarou apoio a um texto alternativo. Trata-se da PEC 12, uma proposta que preserva a autonomia dos acordos coletivos e valoriza a flexibilização das jornadas.

Segundo a assessoria jurídica da Firjan, o projeto alternativo guarda total coerência com as diretrizes aprovadas na reforma trabalhista de 2017. Afinal, modelos consagrados como as escalas de revezamento nasceram de entendimentos diretos entre patrões e empregados.

Ademais, os setores técnicos defendem que qualquer alteração constitucional exige uma análise criteriosa dos indicadores de produtividade. Assim sendo, o diálogo estruturado entre o governo e as lideranças sindicais evitaria demissões em massa no comércio.

Como a incerteza trabalhista afeta as decisões dos investidores

A discussão em torno da redução da jornada de trabalho mexe diretamente com o principal pilar do mercado financeiro: a previsibilidade. Quando as regras do jogo trabalhista ameaçam mudar de forma abrupta, os grandes fundos de investimento tendem a adotar uma postura de forte cautela.

Para os investidores que operam na Bolsa de Valores, o aumento repentino nos custos das companhias listadas reduz a projeção de distribuição de dividendos. De fato, setores que dependem intensamente de mão de obra, como o varejo e a logística, sofrem reuniões imediatas em suas notas de risco.

Por consequência, as lideranças corporativas optam por congelar a expansão de novas operações até que o cenário político em Brasília se estabilize. Afinal, sem um horizonte claro de custos operacionais, o planejamento estratégico de longo prazo das empresas fica paralisado.

Inflação de serviços deve atingir alimentação fora de casa

Os analistas alertam que o encarecimento da mão de obra fatalmente será transferido para as tabelas de preços ao consumidor final. Com o intuito de recompor as margens de lucro, os estabelecimentos comerciais devem reajustar os serviços básicos.

O segmento de alimentação fora de casa, que opera com margens estreitas, tende a ser o primeiro a registrar reajustes expressivos. Igualmente, o setor de hotelaria e os serviços essenciais de logística sofrerão pressões inflacionárias imediatas de curto prazo.

Por fim, o debate legislativo deve se estender ao longo dos próximos meses nas comissões temáticas de Brasília. Por isso, os investidores acompanham a tramitação da matéria para recalibrar as projeções de custos das empresas listadas na Bolsa.

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