IPC-S desacelera na primeira prévia de outubro, mas itens da cesta básica continuam pesando

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) registrou um alívio em outubro. Dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram que o indicador subiu 0,39% na primeira quadrissemana do mês, desacelerando em relação à alta de 0,67% fechada em setembro. Com esse resultado, o acumulado em 12 meses atingiu 4,21%.

O recuo do índice foi puxado principalmente pela trégua em despesas essenciais, como a tarifa de energia elétrica residencial, além de quedas expressivas nos preços de passagens de cinema e seguros de veículos.

O alívio na energia e no vestuário

O arrefecimento geral da inflação teve como principal motor o comportamento do grupo de Habitação. A taxa despencou de 1,99% para 0,21%, influenciada diretamente pela reversão nas tarifas de eletricidade, que deixaram de pressionar o orçamento das famílias.

O setor de Vestuário também colaborou para o cenário mais benigno, registrando uma alta bem mais branda (de 0,30% para 0,16%). No campo dos alimentos, itens de consumo frequente como a banana-prata registraram recuos importantes, ajudando a conter pressões pontuais.

A pressão nos alimentos e nas passagens aéreas

Apesar da desaceleração no índice geral, o custo de vida ainda desafia o consumidor em setores específicos. O grupo de Alimentação ganhou força, passando de 1% para 1,27% de alta, impulsionado por fortes pressões em hortifrútis como tomate, cebola e batata-inglesa.

Outro segmento que contrariou o movimento de baixa foi o de passagens aéreas e pacotes de turismo, que voltaram a registrar alta no período. A variação reflete a volatilidade sazonal do setor de serviços, que continua reagindo à demanda por viagens e lazer.

Pontos de observação

A desaceleração do IPC-S traz um fôlego bem-vindo ao cenário inflacionário de curto prazo, mas exige leitura atenta. A persistência de altas em itens de peso na mesa do consumidor, como hortifrútis, mostra que a inflação de alimentos ainda dita o ritmo do consumo de massa.

Monitorar essa dinâmica é fundamental para projetar margens no setor varejista, calibrar estratégias de precificação corporativa e antecipar os próximos passos da política monetária conduzida pelo Banco Central.

Foto: Magnific