Cotado para assumir o Ministério da Fazenda em uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro, Marcelo Kayath defende ações imediatas de ajuste fiscal. Em entrevista à Bloomberg, o executivo destacou que o próximo governo precisará conter despesas obrigatórias para recuperar a credibilidade econômica.
A reação positiva do mercado após o primeiro turno reflete expectativas de mudança na condução econômica. No entanto, Kayath adverte que a valorização dos ativos não representa um cheque em branco dos investidores para a futura administração.
Necessidade de reformas estruturais no orçamento
O déficit público próximo de 10% do PIB e a inflação acima da meta pressionam a economia brasileira. Segundo o executivo, um ajuste fiscal de 1,5% do PIB é desafiador, mas plenamente alcançável com medidas estruturais abrangentes.
Cortes isolados em despesas discricionárias não serão suficientes para equilibrar as contas públicas. Como mais de 90% dos gastos primários são obrigatórios, o novo governo precisará passar um pente-fino em subsídios, benefícios tributários e revisões de aumentos.
Apoio político e nova regra fiscal
Uma nova âncora fiscal crível deve focar na trajetória sustentável da dívida pública a longo prazo. Regras fiscais complexas perdem valor rapidamente se alteradas diante da primeira dificuldade econômica enfrentada pelo país.
A ampliação da bancada de centro e direita no Congresso oferece uma base inicial favorável para aprovar reformas. Contudo, Kayath ressalta que a construção de maiorias sólidas continuará essencial para avançar a agenda econômica no Legislativo.
Pontos de observação
A definição da política fiscal e o controle das despesas obrigatórias serão determinantes para a trajetória dos juros e do câmbio. O acompanhamento da composição da equipe econômica e da viabilidade técnica das propostas fiscais permitirá antecipar movimentos na curva de juros e na alocação de ativos.
Além disso, a capacidade do próximo governo de negociar com um Congresso mais conservador ditará a velocidade das reformas. Investidores e gestores de carteira devem monitorar de perto os primeiros sinais de articulação política para calibrar suas expectativas em relação ao risco-país e à sustentabilidade da dívida nos próximos anos.
Com informações da Bloomberg • Foto: Reprodução