‘Plano Real dos Juros’: manifesto de 380 líderes e economistas propõe meta fiscal para baixar a Selic a 7,5%

Um manifesto assinado por quase 400 empresários, economistas e executivos do setor produtivo traçou um plano de meta fiscal e institucional direcionado aos principais candidatos à Presidência da República. Coordenado pelo economista Roberto Giannetti da Fonseca, do Grupo Parlatório, o documento propõe uma espécie de “Plano Real dos juros” para sanar a dívida pública e destravar o crédito no país.

A meta central estabelecida pelo grupo é criar condições para que a taxa básica de juros (Selic) recue para 7,5% ao ano até o encerramento de 2027.

Âncora fiscal, inflação de 3% e corte na dívida

Para garantir a queda sustentável dos juros mantendo a autonomia do Copom, o grupo de notáveis fixa compromissos rigorosos no campo das contas públicas:

  • Superávit primário: Cumprimento de saldo positivo de pelo menos 1% do PIB em 2027.
  • Inflação no centro da meta: Convergência do índice de preços para 3% ao ano.
  • Redução do endividamento: Reduzir a dívida bruta da União, hoje em 82,9% do PIB (R$ 10,9 trilhões), para menos de 70% do PIB até 2030.

Conforme informações do Globo, os autores defendem o controle das despesas e a estabilidade econômica. Esse cenário deve abrir espaço para reduzir o custo do crédito. A meta do grupo é alcançar um crescimento econômico de ao menos 3% ao ano. Para isso, o país precisará de investimentos acima de 20% do PIB entre 2027 e 2030.

Reforma tributária, produtividade e regras do jogo

No plano estrutural, o manifesto recomenda conter a carga tributária no teto de 34% do PIB. O grupo sugere priorizar a tributação sobre a renda em vez do consumo. Além disso, defende avançar na regulamentação do IBS e da CBS.

Para impulsionar a produtividade, a proposta sugere destravar parcerias público-privadas e acelerar concessões de infraestrutura. O texto também defende a transição verde no agronegócio. A meta é neutralizar as emissões do setor até 2042.

No âmbito político e administrativo, a carta propõe o fim da reeleição no Executivo. O grupo também pede limites de 5% para emendas parlamentares discricionárias. Por fim, defende uma reforma administrativa com avaliação contínua dos servidores.

Informações relevantes para o mercado

  • Representatividade de peso: Entre os signatários do manifesto estão Isaac Sidney (presidente da Febraban), o empresário Roberto Klabin e o ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates.
  • Sinalizador para o setor produtivo: O manifesto explicita o esgotamento do setor empresarial com juros elevados sustentados por déficits fiscais contínuos.
  • Foco no custo de capital: O grupo projeta que reduzir o custo médio da dívida (hoje em 12,68% ao ano, consumindo R$ 1,4 trilhão em juros) é o único caminho para expandir investimentos privados na próxima década.

Foto: Portal Gov