Juro alto e inadimplência comprimem rentabilidade dos maiores bancos do país

A deterioração na qualidade dos ativos e a necessidade de reter bilhões em provisões contra calotes tornaram-se os principais desafios para o sistema financeiro nacional. De acordo com uma análise exclusiva da agência de classificação de risco Fitch Ratings, os maiores bancos brasileiros enfrentarão um segundo semestre altamente desafiador. A persistência da taxa Selic em patamares elevados, somada às incertezas geopolíticas mundiais, comprime a capacidade de pagamento de famílias e empresas.

  • Provisões em alta: O cenário macroeconômico forçou as instituições a elevar as Despesas de Provisão para Devedores Duvidosos (PDD), reduzindo as margens de lucro.
  • Resiliência seletiva: Enquanto Itaú e BTG Pactual mantêm notas de crédito robustas, Banco do Brasil e Bradesco enfrentam caminhos mais longos de recuperação.

O gargalo do agronegócio e a pressão histórica no Banco do Brasil

O principal vetor de pressão sobre a qualidade dos ativos e os balanços financeiros reside no aumento das recuperações judiciais no setor agropecuário. Consequentemente, o Banco do Brasil (BB) observa um agravamento nos atrasos de pagamentos de produtores rurais. Isso que exige um volume recorde de reservas contábeis para cobrir potenciais perdas.

Os analistas da Fitch apontam que a nova regulamentação contábil antecipou o reconhecimento dessas perdas no balanço do BB. Por essa razão, a rentabilidade medida pelo Retorno sobre Patrimônio (ROE) despencou para 7,3% no primeiro trimestre, atingindo o pior nível em cerca de dez anos. Embora o programa de renegociação “Regulariza Agro” tente mitigar os danos, os riscos climáticos decorrentes do El Niño continuam postergando uma recuperação rápida dos lucros da estatal.

Diante disso, o investidor de ações precisa calibrar as expectativas de dividendos para os próximos trimestres. Portanto, o papel do agronegócio na carteira de crédito exige monitoramento constante, visto que o setor ainda absorve os impactos combinados de preços internacionais baixos e custos locais elevados.

Bradesco avança em reestruturação enquanto Itaú e BTG se isolam no topo

Em contrapartida, o Bradesco demonstra evolução consistente no plano de recuperação de cinco anos liderado pela atual gestão. Com efeito, a instituição financeira foca na expansão de linhas de crédito com garantias reais e no atendimento ao público de alta renda, além de fortalecer seu capital com as operações de saúde da Bradsaúde. Todavia, a Fitch alerta que o ambiente macroeconômico adverso dificulta uma aceleração mais expressiva nos resultados de curto prazo.

No topo da pirâmide de eficiência, Itaú Unibanco e BTG Pactual exibem um perfil imune ao ciclo severo de crédito. Como resultado, ambas as instituições sustentam a nota de crédito BB+, posicionando-se um degrau acima do próprio risco soberano do Brasil.

Enquanto o Itaú colhe os louros de uma gestão de risco ultraprotetora na carteira rural, o BTG Pactual se beneficia do distanciamento do varejo tradicional e do acesso privilegiado ao mercado de capitais. Desse modo, o mercado acionário desenha um cenário de forte assimetria no setor bancário, onde a eficiência operacional dita quem sobrevive ao juro alto sem sacrificar o bolso do acionista.

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