Um novo score para startups foi desenvolvido pela gestora de venture capital Astella para medir a proteção dessas empresas contra o avanço rápido da inteligência artificial generativa. Com efeito, a ferramenta obriga os investidores de risco a recalcular a rota de avaliação de aportes financeiros no cenário atual. Segundo a empresa, a ideia central é avaliar de forma analítica as chances de um modelo de negócio ser engolido por plataformas de big techs.
O risco das grandes plataformas de linguagem
Por décadas, as gestoras de investimentos analisavam fatores tradicionais como o tamanho do mercado e a qualidade da equipe de fundadores. Contudo, o momento presente exige critérios mais profundos de proteção tecnológica contra soluções generalistas de gigantes globais.
Isto ocorre porque modelos como ChatGPT, Gemini e Claude conseguem resolver grande parte dos problemas corporativos com custos operacionais drasticamente menores. Diante disso, a Astella estruturou uma matriz de risco dividida em três faixas de classificação, variando do Score 0 ao Score 2.
A avaliação se baseia em sete pilares de vantagens competitivas reformuladas:
- Jardins murados: Posicionamento em dados proprietários, exclusivos e protegidos por regulamentação que os modelos públicos não conseguem acessar na internet.
- Fricção institucional: Sistemas integrados a fluxos jurídicos ou de compliance complexos, onde a substituição do software gera riscos severos ao cliente.
- Trilhos de transação: Ferramentas inseparáveis do workflow crítico que gera receita direta para a operação do comprador.
- Canais proprietários: Controle rígido sobre os canais de distribuição e vendas, dificultando a desintermediação por novos concorrentes digitais.
Complexidade local e a adaptação à cultura de negócios do Brasil
A implementação prática desse novo score para startups ganha contornos específicos quando analisamos a realidade do ecossistema de inovação brasileiro. Afinal, a metodologia desenvolvida pela Astella se encaixa perfeitamente no cenário de alta fricção burocrática e tributária do mercado nacional.
Nesse contexto, as particularidades regulatórias e fiscais do país funcionam como uma barreira de proteção natural para as empresas locais de tecnologia. Os modelos de linguagem estrangeiros enfrentam barreiras severas para decifrar a dinâmica caótica dos impostos brasileiros. Portanto, o software nacional focado em resolver dores regionais complexas mantém uma grande vantagem sobre soluções generalistas internacionais.
Além disso, a cultura de negócios no Brasil valoriza muito as relações de confiança no modelo comercial B2B. Dessa forma, as startups que controlam canais proprietários e constroem forte relacionamento local geram travas de saída difíceis de romper. Por fim, a velocidade de adaptação da liderança desponta como o critério mais dinâmico para garantir a sobrevivência no mercado doméstico.
O que esperar: o impacto no mercado e para os investidores brasileiros
Diante da consolidação desse novo framework regulatório de investimentos, os fundadores de startups no Brasil devem ajustar seus discursos imediatamente. Como resultado, captar recursos em rodadas Pré-Seed ou Seed exigirá mais do que apenas integrar APIs de inteligência artificial em softwares comuns.
Os fundos de venture capital passarão a exigir margens brutas saudáveis e defesas consistentes contra a comoditização tecnológica de plataformas. Assim, a recomendação para os empresários brasileiros é focar na captação de dados proprietários e na automação de processos internos burocráticos. Aqueles que demonstrarem capacidade de remodelar seus produtos rapidamente usando modelos menores e locais capturarão os melhores cheques neste novo momento do mercado de capitais.
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