Pautas-bomba no Congresso ameaçam contas públicas em R$ 111 bilhões por ano

As pautas-bomba no Congresso Nacional podem gerar um impacto anual bilionário para os cofres do governo federal. Os ministérios da Fazenda e do Planejamento divulgaram uma nota conjunta nesta quinta-feira (11) detalhando os riscos fiscais de nove projetos em tramitação. Portanto, a equipe econômica corre contra o tempo para conter o avanço dessas medidas que elevam gastos obrigatórios e reduzem a arrecadação.

  • Projetos na mira: O principal motor do rombo é a revisão do teto do Simples Nacional, que pode custar R$ 50 bilhões anuais.
  • Reação do Executivo: O governo federal estuda vetos presidenciais ou acionar o Supremo Tribunal Federal caso as propostas descumpram a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Os maiores impactos

O termo “pauta-bomba” é utilizado no jargão político para definir projetos de lei que aumentam despesas ou cortam receitas sem uma fonte de financiamento clara. Desse modo, essas propostas acabam desestruturando o planejamento do orçamento federal.

De acordo com o relatório técnico do governo, os projetos de maior impacto nas contas são:

  • Teto do Simples Nacional: A renúncia fiscal estimada é de R$ 50 bilhões anuais com a ampliação dos limites de enquadramento.
  • Dívidas rurais: A renegociação de débitos com equalização de juros tem impacto projetado em R$ 140 bilhões ao longo de 13 anos.
  • Pisos salariais e fundos: O reajuste para médicos e dentistas custaria R$ 8,4 bilhões por ano, enquanto o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) drenaria R$ 10 bilhões.

A lista também inclui desonerações para templos religiosos e novas regras previdenciárias para agentes de saúde. Como as estimativas combinam renúncias e despesas diretas, o impacto real em cada exercício financeiro pode ser ainda superior ao divulgado.

Equipe econômica avalia acionar STF por descumprimento de regras

O avanço das pautas-bomba no Congresso gerou uma forte reação do Ministério da Fazenda, liderado interinamente por Dario Durigan. Afinal, a aprovação do projeto de renegociação das dívidas rurais no Senado ocorreu contrariando diretamente os apelos técnicos da equipe econômica.

Por consequência, o Palácio do Planalto avalia utilizar o poder de veto do presidente da República para frear os textos na Câmara. Paralelamente, o governo estuda questionar a constitucionalidade das matérias no Supremo Tribunal Federal. De fato, o argumento jurídico central baseia-se na violação frontal da Lei de Responsabilidade Fiscal pelas propostas aprovadas.

Apesar da tensão institucional, o Ministério da Fazenda reforçou que manterá o diálogo com as lideranças do legislativo. Contudo, a aprovação de novos gastos obrigatórios dificulta o cumprimento das metas fiscais e pressiona a inflação.

Foto de capa: Washington Costa/Flickr