O cenário internacional menos turbulento fez o mercado financeiro retomar as apostas em novos cortes da Selic na próxima semana. Com efeito, a curva de juros futuros passou a embutir uma probabilidade majoritária de redução de 0,25 ponto percentual no juro básico. Portanto, os investidores recalibraram suas projeções antes da reunião do Copom, agendada para o dia 17, dividindo as opiniões na Faria Lima.
- Nova precificação: Os contratos futuros agora mostram 15 pontos-base de queda, sugerindo que o ciclo de afrouxamento pode não estar totalmente travado.
- Divisão no mercado: Apesar do otimismo recente com a inflação local, uma parcela relevante dos analistas ainda projeta a manutenção da taxa em 14,50%.
A memória dos 14% e o peso dos juros na atividade econômica
Para compreender a relevância dessa discussão, é preciso lembrar que a taxa básica de juros sofreu uma escalada severa até o patamar de 14%. Desse modo, o Banco Central manteve o crédito sufocado por um longo período com o objetivo de conter a inflação pós-pandemia.
A permanência dos juros em patamares tão elevados encareceu os empréstimos e travou os investimentos produtivos das indústrias brasileiras. De fato, carregar uma Selic nas alturas penaliza o Produto Interno Bruto (PIB) e drena a capacidade de financiamento das empresas.
Por consequência, qualquer sinalização de queda abaixo dos atuais 14,50% representa um fôlego inédito para a economia real. Afinal, a queda do juro barateia o capital de giro e estimula o consumo das famílias.
O que o ambiente global menos turbulento significa para as empresas
O arrefecimento das tensões geopolíticas no exterior funciona como um sinal verde para o planejamento estratégico do empresariado nacional. Quando os mercados globais se acalmam, o risco cambial diminui e o preço das commodities importadas tende a se estabilizar.
Para os diretores financeiros, essa estabilidade externa traz maior previsibilidade para projetar o fluxo de caixa dos próximos trimestres. Ademais, o recuo do dólar reduz a pressão sobre os custos de produção na indústria e no comércio.
Com o custo de produção sob controle, as pressões inflacionárias domésticas perdem força de maneira gradual. Assim sendo, o Banco Central ganha o espaço técnico necessário para flexibilizar a política monetária sem colocar a meta de inflação em risco.
Investidores calibram carteiras com foco na renda variável
No ambiente de investimentos, a expectativa de cortes da Selic altera imediatamente a alocação de capital dos grandes fundos de pensão. À medida que a renda fixa perde rentabilidade real, os ativos de risco voltam a atrair o interesse do mercado.
Historicamente, o movimento de queda nos juros impulsiona as ações de empresas ligadas ao consumo interno e ao setor imobiliário. Como essas companhias dependem de crédito barato para crescer, elas são as maiores beneficiadas pela virada de ciclo do Copom.
Contudo, os especialistas recomendam cautela devido à volatilidade fiscal que ainda ronda o ambiente doméstico. Por fim, a decisão final do colegiado na próxima quarta-feira ditará o ritmo dos negócios para o fechamento do semestre.
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