IA inflaciona chips e derruba lucro da Xiaomi em 57%

A corrida global pela Inteligência Artificial (IA) começou a cobrar o seu preço na indústria de eletrônicos de consumo. A Xiaomi registrou uma queda de 57% no seu lucro líquido trimestral, que recuou para 4,72 bilhões de yuans. Nesse sentido, o balanço expõe como a explosão na demanda por semicondutores e memórias avançadas inflacionou os custos de fabricação, esmagando as margens operacionais de gigantes de hardware.

O efeito colateral da IA nas margens

O avanço das infraestruturas de IA deixou de beneficiar apenas os fabricantes de chips (como a Nvidia) e, dessa forma, passou a penalizar quem depende da mesma cadeia de suprimentos.

  • Disputa por componentes: Servidores de IA, data centers e smartphones disputam os mesmos insumos de memórias DRAM e HBM.
  • Margens pressionadas: Essa competição global elevou os preços de componentes essenciais. Como resultado, a margem bruta da divisão de smartphones da Xiaomi desabou para 10,1% no trimestre.
  • Faturamento em queda: A receita total da companhia recuou 11%, fixando-se em 99,1 bilhões de yuans, puxada pela retração de 12,5% nas vendas de celulares.

Tempestade perfeita na china: consumo e concorrência

Além do fator inflacionário dos chips, a Xiaomi enfrenta pressões macroeconômicas severas no seu mercado doméstico:

  1. Enfraquecimento do consumo: O fim de subsídios estatais chineses fez a divisão de internet das coisas (IoT) e eletrodomésticos inteligentes despencar 24%.
  2. Guerra de preços: Para sustentar as vendas em um cenário de forte desaceleração interna, as marcas dependem cada vez mais de promoções e descontos agressivos.
  3. Rivalidade no Premium: No segmento de aparelhos de maior valor agregado, a concorrência se intensificou significativamente com o avanço da Huawei no mercado chinês.

O refúgio automotivo

A única linha de negócios que trouxe faturamento positivo foi a divisão de veículos elétricos (EVs). Impulsionada pelo aumento no volume de entregas, a receita automotiva subiu 5,1%, atingindo 19 bilhões de yuans. No entanto, o crescimento dos carros elétricos ainda carece de escala para compensar as perdas consolidadas, resultando em uma queda na margem bruta geral da empresa, de 22,8% para 22%.

O caso da Xiaomi serve de alerta para o mercado global: a transição simultânea para inteligência artificial, dispositivos conectados e eletrificação exige investimentos bilionários em um momento de custos operacionais persistentemente elevados e consumidores mais cautelosos.

Foto de capa: Divulgação/Xiaomi