A disparada nas compras estrangeiras no S&P 500 acendeu um sinal de alerta para o mercado financeiro. O aviso foi feito por John Higgins, economista-chefe da Capital Economics. Segundo ele, surtos semelhantes de euforia externa precederam grandes crises históricas. Por conseguinte, o cenário lembra o estouro da bolha das pontocom, a crise financeira global e a forte correção de mercado de 2022.
Naturalmente, os estrangeiros acumulam ativos nos Estados Unidos devido ao déficit em conta corrente do país. No entanto, a composição dessa participação mudou de forma drástica. Duas décadas atrás, o capital estrangeiro focava em títulos de dívida. Hoje, contudo, ele é majoritariamente composto por ações. A participação estrangeira no mercado acionário americano saltou para mais de 21%, ante apenas 6% em 1997.
A sombra da inteligência artificial e a pressão global
A febre global da inteligência artificial impulsionou fortemente esse fluxo de capital externo. No entanto, o ecossistema tecnológico global mudou, e os Estados Unidos já não jogam sozinhos.
- Soberania Tecnológica na Europa: A União Europeia tem intensificado esforços regulatórios e investimentos massivos para reduzir sua dependência digital de Washington. Portanto, parte dos recursos que antes irrigavam Wall Street tende a se voltar para a infraestrutura local.
- O Avanço da China: Paralelamente, laboratórios asiáticos ganham espaço expressivo. A startup chinesa Moonshot AI, por exemplo, lançou recentemente o modelo Kimi K3. A nova tecnologia desafia diretamente gigantes americanas ao entregar alta eficiência com custos operacionais bem menores.
O risco de reversão e o futuro do mercado
A Capital Economics alerta que essa tendência de compras estrangeiras no S&P 500 inflacionada pela inteligência artificial pode sofrer uma reversão severa. Caso o ritmo das expectativas de lucros desacelere, o capital estrangeiro tende a sair rapidamente. Consequentemente, isso provocaria um desempenho inferior das ações americanas frente aos mercados globais.
Para investidores, empresários e CFOs, o momento exige cautela redobrada. O apetite ao risco atual carrega vulnerabilidades estruturais profundas. Em síntese, monitorar os desdobramentos internacionais e a solidez dos balanços corporativos tornou-se indispensável para proteger portfólios contra choques futuros.
Com informações da Investing.com e Capital Economics • Foto: Unsplash