O Brasil registrou a criação de 2,05 milhões de empresas entre janeiro e abril deste ano. Nesse sentido, os dados da Receita Federal apontam uma alta de quase 14% na comparação anual. Por consequência, esse avanço na abertura de pequenos negócios consolida os Microempreendedores Individuais (MEIs) como a principal engrenagem de formalização econômica do país. Hoje, os pequenos empreendimentos respondem por 97% dos novos CNPJs gerados.
Os setores líderes na abertura de pequenos negócios
O setor de Serviços liderou os novos registros isoladamente. Em outras palavras, a área somou 1,3 milhão de empresas abertas no primeiro quadrimestre. O segmento registrou uma expansão de 15% em relação ao ano anterior.
A expansão concentrou-se em atividades com menor barreira operacional e rápida entrada no mercado:
- Logística Urbana: Serviços de malote, entregas e transporte rodoviário de carga lideraram os registros. O segmento pegou carona na expansão das plataformas digitais.
- Serviços Individuais: Os segmentos de publicidade e de cabeleireiros também figuram entre os destaques do Sebrae.
- Saúde e Administrativo: Clínicas médicas, consultórios odontológicos e serviços de apoio administrativo impulsionaram os dados específicos do mês de abril.
O abismo entre serviços e os setores produtivos
Os dados do Sebrae revelam uma assimetria importante na estrutura produtiva. Enquanto o setor de Serviços disparou, as áreas intensivas em capital avançaram em ritmo lento. O Comércio registrou 411,8 mil novos CNPJs. Já a Indústria e a Construção Civil somaram 159,7 mil e 136,3 mil registros, respectivamente.
Segundo o Sebrae, o cenário atual reflete uma combinação macroeconômica positiva. A inflação controlada e a recuperação do emprego ajudam a estimular o empreendedorismo. Contudo, os negócios concentram-se em áreas de retorno rápido e menor capacidade de investimento a longo prazo.
Concentração regional no eixo sudeste
A distribuição geográfica dos novos CNPJs reforça as desigualdades regionais brasileiras. Quase metade das empresas criadas em 2026 está concentrada em apenas três estados do Sudeste.
São Paulo lidera o ranking nacional com 29% das aberturas. Minas Gerais aparece na segunda posição com 10,5% do mercado. O Rio de Janeiro consolida o terceiro lugar com 8% dos registros totais. Essa forte concentração ocorre porque a região reúne maior nível de renda, melhor infraestrutura e maior facilidade de acesso ao crédito corporativo.
Foto de capa: Sebrae