O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 registrou alta de 0,62% no quinto mês do ano. Divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira (27), o resultado do IPCA-15 de maio ficou acima da estimativa de 0,53% do mercado. Com esse avanço, o indicador acumula uma alta de 4,64% em 12 meses. O número supera o teto da meta do Banco Central pela primeira vez neste ano.
O impacto do IPCA-15 de maio na política monetária
De acordo com analistas, o avanço persistente da inflação traz desafios complexos para a condução dos juros. O Banco Central reduziu a Selic para 14,5% na última reunião. No entanto, o cenário atual exige maior cautela para os próximos passos da autoridade monetária.
A alta disseminada nos preços impacta diretamente as projeções macroeconômicas de curto e longo prazo:
- Expectativas do Focus: O mercado financeiro já projeta uma inflação de 5,04% para o encerramento deste ano.
- Projeção da Selic: Diante das pressões, os economistas estimam que a taxa básica de juros termine o ano em 13,25%.
- Núcleos Resilientes: Tanto o núcleo da inflação quanto os preços do setor de serviços subiram 0,46%, gerando preocupações sobre a persistência da alta.
Vilões do mês: alimentos, energia e o fator petróleo
Por um lado, os grupos de Alimentação e Bebidas e Habitação lideraram as pressões de custo em maio. A energia elétrica residencial subiu 2,16% após a entrada em vigor da bandeira tarifária amarela. Nos supermercados, itens básicos como a batata-inglesa e o tomate registraram altas expressivas de 26,29% e 12,97%, respectivamente. Além disso, o risco de um fenômeno El Niño forte mantém os preços sob constante ameaça climática.
Por outro lado, o setor de Transportes garantiu o único alívio do mês, registrando uma deflação de 0,33%. Os combustíveis recuaram no varejo doméstico após novas medidas do governo. A equipe econômica desenhou uma subvenção de R$ 0,44 por litro para conter os reflexos do fechamento do Estreito de Ormuz na guerra internacional. Dessa forma, a Petrobras consegue reajustar os preços nas refinarias sem repassar o impacto imediato para as bombas dos postos.
Foto de capa: Ag. Brasil