Dólar dispara a R$ 5,11 após dados surpreendentes de emprego nos EUA

O dólar dispara e registrou forte alta nesta sexta-feira, atingindo R$ 5,11 e alcançando o maior valor intradiário em quase dois meses. De fato, o movimento foi impulsionado pelo relatório de emprego dos Estados Unidos, que superou amplamente as expectativas do mercado financeiro. Os dados demonstram que a economia americana segue resiliente, mesmo com os juros em patamares elevados.

Mercado de trabalho americano aquecido

De acordo com o relatório oficial, o número de empregos fora do setor agrícola aumentou em 172 mil vagas em maio. Em contrapartida, os analistas de mercado projetavam a criação de apenas 88 mil postos de trabalho. Esse avanço representa o crescimento mais robusto do indicador em mais de dois anos.

Além disso, os números dos dois meses anteriores passaram por uma revisão para cima. A taxa de desemprego nos Estados Unidos permaneceu em 4,3%, enquanto o ganho médio por hora trabalhada subiu 0,3%. Como resultado, a moeda americana voltou a patamares que não eram vistos desde 8 de abril.

Radiografia do Emprego nos EUA (Maio)

  • Vagas criadas: 172 mil (expectativa era de 88 mil).
  • Taxa de desemprego: Estabilizada em 4,3%.
  • Ganho por hora: Alta de 0,3%.
  • Impacto cambial: A moeda atingiu R$ 5,11, maior valor em quase dois meses.

Pressão sobre os juros e inflação

O aquecimento do mercado de trabalho reduz as chances de um corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) no curto prazo. Portanto, o cenário reforça a tese de manutenção das taxas elevadas por mais tempo. Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, destaca que os dados recentes não apontam para uma desaceleração econômica imediata.

Com o intuito de contextualizar o momento atual, o especialista traça um paralelo com a pressão inflacionária global. “A inflação americana segue próxima de 3,8% e as expectativas estão pressionadas. Ademais, o cenário sofre os efeitos da alta do petróleo desde o início do conflito com o Irã, em março”, afirma Lima.

Impacto no mercado global e investimentos

Por volta das 10h, a plataforma FedWatch indicou que o mercado já precifica uma alta dos juros pelo banco central americano em dezembro, projetando a faixa entre 3,75% e 4%. Consequentemente, essa sinalização mexe com o fluxo de capital global, já que juros altos atraem investidores para os títulos públicos dos EUA.

Dessa forma, a escassez de moeda americana no restante do mundo explica por que o dólar dispara globalmente e tende a desvalorizar as empresas de capital aberto. Lindsay Rosner, gestor da Goldman Sachs Asset, resume a postura do Fed diante do cenário atual: “O foco está totalmente na inflação e tudo dependerá da duração desta guerra. Por enquanto, a decisão é manter os juros onde estão”.

Com informações da Bloomberg • Foto de capa: Pixabay