As exportações brasileiras de proteínas animais sofrerão um duro golpe após a União Europeia (UE) publicar o documento oficial que exclui o país da lista de parceiros autorizados. A medida passará a valer no dia 3 de setembro deste ano. Como resultado, o país perderá temporariamente o acesso a um dos blocos econômicos mais exigentes do mundo.
O motivo do veto foi a ausência de informações cobradas pela Comissão Europeia. O bloco exige garantias rígidas contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. Essas substâncias costumam ser utilizadas para tratar infecções ou como promotores de crescimento.
Diferente do Brasil, outros vizinhos do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem autorizados a vender para a Europa. De fato, o governo brasileiro foi o único removido por falha no envio de dados regulatórios. O Ministério da Agricultura tenta negociar uma reversão para não comprometer o ritmo das exportações brasileiras.
Exigências sanitárias e o impacto no agronegócio
O veto não foca em um medicamento específico, mas sim no controle geral da cadeia produtiva. A UE restringiu fortemente o uso não terapêutico de substâncias como virginiamicina e avoparcina. Em abril, o Brasil até proibiu a fabricação de alguns desses componentes. No entanto, o bloco exige sistemas robustos de rastreabilidade.
Atualmente, o mercado europeu representa o segundo maior destino para as carnes gerais do país. Ele responde por 5,7% do valor total embarcado. No caso específico da carne bovina, o bloco é o terceiro maior comprador global. Por isso, o setor produtivo demonstra forte preocupação com o compliance e a reputação das exportações brasileiras.
O Peso da Europa nas Exportações do Brasil (Dados de 2025)
- Carnes em geral: 368,1 mil toneladas embarcadas, gerando receita de US$ 1,8 bilhão.
- Carne bovina: 128 mil toneladas exportadas, com faturamento de US$ 1,048 bilhão.
- Carne de frango: 230 mil toneladas enviadas, somando US$ 762 milhões em receita.
- Mel: Mil toneladas comercializadas, alcançando o valor de US$ 6 milhões.
Entenda: O impacto do veto nas exportações brasileiras para a União Europeia
O bloqueio europeu acende um alerta vermelho para o comércio exterior. Sem o mercado da União Europeia, o país corre o risco de perder quase US$ 2 bilhões anuais em faturamento. Portanto, o grande desafio da indústria frigorífica será encontrar novos compradores capazes de absorver esse volume financeiro.
A relação comercial entre o Brasil e a UE vinha ganhando novos contornos. O anúncio do veto ocorreu logo após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre o Mercosul e o bloco europeu. Contudo, produtores locais europeus, especialmente na França, vinham pressionando politicamente contra a entrada de produtos sul-americanos.
Como resultado, a decisão expõe a fragilidade do país em barreiras não tarifárias. Enquanto concorrentes diretos como a Argentina mantêm suas fatias de mercado, o Brasil perde espaço estratégico. Para retomar o fluxo normal das exportações brasileiras para o bloco, o setor privado e o governo precisarão correr contra o tempo para implementar uma rastreabilidade que convença os inspetores europeus.
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