Avanço em negociações entre Mercosul e Canadá aproxima bloco de acordo histórico

O andamento de um novo acordo comercial entre o Mercosul e o Canadá ganhou forte impulso nesta semana após rodadas de negociações presenciais em Toronto. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, cinco capítulos cruciais do tratado avançaram para a etapa de encerramento. Esse progresso sinaliza uma aproximação estratégica importante entre o bloco sul-americano e uma das economias mais desenvolvidas e robustas do G7.

  • Capítulos encerrados: O avanço técnico desta semana foca na finalização de termos institucionais, enquanto as reuniões de cúpula devem continuar nas próximas semanas.
  • Grupos de trabalho ativos: Os debates técnicos seguem focados em áreas complexas, como comércio de bens, regras de origem, propriedade intelectual e desenvolvimento sustentável.

A relevância estratégica do mercado canadense para as exportações do Brasil

O Canadá representa um dos principais alvos da política externa do Mercosul para a expansão de sua rede de livre comércio global. Com uma população de 41 milhões de habitantes e um PIB que gira em torno de US$ 2,2 trilhões, o país norte-americano importa anualmente cerca de US$ 541 bilhões, consolidando-se como um mercado consumidor de altíssimo poder aquisitivo.

As negociações bilaterais haviam sido retomadas em outubro de 2025. Além disso, elas ganharam tração com a participação direta do ministro Maninder Sidhu. Para o Brasil, portanto, a consolidação desse tratado é uma oportunidade de ouro. Afinal, a medida visa proteger e ampliar o excelente momento comercial atual. De fato, em 2025, o fluxo entre os dois países atingiu o recorde histórico de US$ 10,4 bilhões. Esse montante foi impulsionado por uma alta expressiva de 14,8% nas exportações brasileiras.

Diversificação da pauta de comércio e os setores mais beneficiados

Com o avanço do acordo comercial, setores tradicionais e de alta tecnologia da indústria nacional devem experimentar um ambiente regulatório muito mais favorável e competitivo. Atualmente, a pauta de exportações do Brasil para o mercado canadense é liderada por minérios de alumínio, níquel e cobre, além de commodities agrícolas como café e açúcar, e bens de alto valor agregado, incluindo aeronaves e equipamentos de engenharia civil.

Por outro lado, o mercado brasileiro depende significativamente de insumos de ponta vindos do Canadá, que totalizaram US$ 3,1 bilhões em importações no último ano. A redução de barreiras alfandegárias facilitará o acesso a adubos e fertilizantes essenciais para o agronegócio nacional, além de motores, maquinários industriais e medicamentos de alta complexidade. Desse modo, o encerramento bem-sucedido das negociações institucionais trará mais previsibilidade jurídica e dinamismo para as empresas brasileiras no comércio exterior.

Imagem de capa: ccbc.org