Alta do Ibovespa e ata do Copom marcam pregão de resiliência na B3

A alta do Ibovespa e ata do Copom foram os protagonistas de uma sessão marcada por volatilidade e mudança de humor nesta terça-feira (23) na bolsa brasileira. O principal índice da B3 fechou o pregão com valorização de 0,65%, atingindo a marca de 171.483 pontos. Nesse contexto, o mercado superou o pessimismo vindo do exterior e a cautela inicial gerada pelo tom duro do Banco Central.

  • Desempenho da bolsa: Dos papéis listados, 41 fecharam em alta, enquanto o índice Nasdaq recuou 2,22% diante das perdas no setor de tecnologia.
  • Câmbio: O dólar acompanhou a tensão internacional e encerrou a sessão com alta de 0,88%, sendo negociado a R$ 5,18.
  • Destaques: A Marfrig (MRFG3) liderou os ganhos com salto de 9,88%. A Vivara (VIVA3) e a Azzas (AZZA3) também registraram altas expressivas, de 4,64% e 3,61%.

O tom restritivo da política monetária

A alta do Ibovespa e ata do Copom pareciam improváveis durante o período da manhã. O comitê adotou um tom rigoroso, defendendo a manutenção dos juros em patamar restritivo por longo período. Além disso, o documento reforçou que expectativas de inflação desancoradas exigem maior austeridade do que o mercado esperava anteriormente. Dessa forma, o Banco Central sinalizou que a Selic, agora em 14,25%, seguirá um caminho cauteloso sem quedas aceleradas.

O choque com o cenário internacional

Enquanto isso, a B3 enfrentou um cenário externo adverso. Wall Street sofreu com o desempenho negativo das empresas de semicondutores e tecnologia. Por exemplo, o índice S&P 500 registrou queda de 1,44%, enquanto o Dow Jones recuou 0,09%. Contudo, a bolsa brasileira descolou desse movimento, sustentada por um fluxo de compra que cresceu à medida que os investidores processaram as novas diretrizes do BC.

A mudança de humor e a busca por previsibilidade

Entretanto, o mercado digeriu o tom severo da ata ao longo da tarde. Por um lado, o investidor reconheceu o desconforto gerado pelos juros elevados. Por outro, prevaleceu a percepção de que o documento trouxe previsibilidade sobre os próximos movimentos da autoridade monetária. Consequentemente, a redução das incertezas permitiu uma reprecificação positiva dos ativos domésticos mais sensíveis ao ciclo econômico.

Foto de capa: B3