Governo zera tributos sobre a gasolina para conter alta de preços

O governo federal anunciou a ampliação e a prorrogação da desoneração de tributos federais sobre a gasolina, elevando o corte de PIS/Cofins de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro. A medida busca conter o impacto da escalada das cotações internacionais provocada pelo conflito no Oriente Médio.

Divulgada em entrevista coletiva no Ministério da Fazenda, em Brasília, a iniciativa substitui o pacote anterior que vencia nesta sexta-feira (9). A expectativa da equipe econômica é que a redução nos preços seja repassada rapidamente pelos postos aos consumidores ainda em outubro.

Impacto na cadeia e margens de lucro

“Os preços estão andando de lado, mas em patamar acima do que tinham antes da guerra”, afirmou Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento, ao justificar a urgência da intervenção fiscal para aliviar a inflação de energia e transportes no mercado interno.

Questionado sobre o calendário político, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou motivação eleitoral. “A gente tem anunciado isso desde o início da guerra. Não tem nenhuma mudança em relação ao timing eleitoral”, declarou.

Para garantir que o benefício fiscal chegue à ponta final, o Ministério da Fazenda informou que o governo atuará em fiscalização rigorosa do mercado. O objetivo é coibir eventuais aumentos indevidos de margens de lucro por parte das distribuidoras e dos postos revendedores.

Pontos importantes

  • Pressão fiscal: A ampliação do subsídio exige monitoramento atento do impacto nas contas públicas e no cumprimento das metas fiscais vigentes.
  • Margens do setor de combustíveis: O rigor na fiscalização das margens de revenda pode comprimir a rentabilidade operacional de redes de postos e distribuidoras no curto prazo.
  • Cenário internacional: A volatilidade geopolítica no Oriente Médio continua ditando o ritmo da inflação de commodities energéticas, exigindo cautela na projeção de custos logísticos.

Com o desdobramento das tensões internacionais e a proximidade do calendário eleitoral, o mercado permanece em compasso de espera. Analistas econômicos apontam que, embora a manobra fiscal alivie a inflação de curto prazo e traga fôlego temporário aos custos logísticos das empresas, a sustentabilidade dessa política dependerá da evolução dos preços do petróleo no cenário global e do comportamento fiscal do governo nos próximos meses.

Foto: Unsplash