A Revolut planeja expandir sua atuação para além dos serviços financeiros e desenvolver um ecossistema de tecnologia mais amplo. A declaração foi feita nesta sexta-feira (9) pelo CEO e cofundador da fintech, Nik Storonsky, durante o fórum tecnológico Wave by Vento, em Turim.
Avaliada em US$ 115 bilhões em uma venda secundária de ações este ano, a startup mais valiosa da Europa busca acelerar sua expansão nos mercados globais. Segundo Storonsky, o objetivo de longo prazo é equiparar a escala da empresa à das maiores gigantes de tecnologia dos Estados Unidos.
Inteligência artificial e dados proprietários
Para sustentar essa guinada, a companhia desenvolveu modelos próprios de inteligência artificial treinados com base em dados de transações de clientes. A estratégia utiliza metodologias semelhantes às aplicadas em grandes modelos de linguagem (LLMs).
“Com 30 a 40 milhões de transações diárias na Revolut, dispomos de uma base única de dados para construir nosso futuro”, destacou o executivo.
Desafios regulatórios e expansão de licenças
Apesar do ritmo acelerado de crescimento, a fintech enfrenta escrutínio regulatório rigoroso. Em 2025, o banco central da Lituânia aplicou multa recorde de 3,5 milhões de euros por falhas nos controles de monitoramento de transações. A empresa informou que reforçou seus sistemas e que a investigação não apontou lavagem de dinheiro.
Em setembro, a Revolut também lidou com um incidente de segurança após enviar dados de clientes a hackers que se passavam por investigadores governamentais. A empresa garantiu que fundos e sistemas operacionais permaneceram intactos.
Em paralelo aos desafios, a companhia coleciona avanços regulatórios. Após conquistar licenças bancárias no Reino Unido e na França, a fintech obteve aprovação preliminar para operar como banco nacional nos Estados Unidos em setembro.
Caso decida abrir o capital, Storonsky afirmou à Bloomberg TV que a preferência da diretoria será por uma listagem primária em bolsa norte-americana. Atualmente, a avaliação privada da startup supera a capitalização de mercado de gigantes tradicionais como o britânico Barclays e o francês Société Générale.
Com informações da Reuters • Foto: Divulgação/Revolut