A Super quarta do Copom e do Federal Reserve (Fed) dita o ritmo de cautela no mercado financeiro nesta terça-feira (16). Os investidores evitam tomar grandes riscos antes das definições sobre as taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Como reflexo desse movimento defensivo, o Ibovespa operava em queda de 0,44% por volta das 11h10, situando-se na casa dos 169 mil pontos. Por outro lado, o dólar comercial registrava estabilidade, cotado a R$ 5,075 com uma leve valorização de 0,17%.
- O tombo do petróleo: Os preços internacionais da commodity desabaram mais de 3%, com o Brent negociado na faixa de US$ 80. O recuo ocorre após o avanço nos acordos diplomáticos no Oriente Médio.
- O peso das gigantes: A desvalorização do óleo bruto puxou os papéis da Petrobras para baixo. Consequentemente, a estatal e os grandes bancos privados lideram as perdas do dia no índice.
Grandes bancos e ações da Petrobras pressionam a bolsa
A queda nas cotações do petróleo bruto atingiu em cheio os ativos da Petrobras. As ações preferenciais da petroleira recuavam 1,02%, enquanto as ordinárias registravam baixa de 0,75%. Além disso, o setor bancário operava em terreno negativo em bloco, somando forças para puxar o índice para baixo. Os papéis do Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e as units do Santander operavam em queda na sessão desta manhã.
No entanto, o cenário de perdas não é generalizado. Algumas empresas de peso conseguem nadar contra a correnteza antes da Super quarta do Copom. A mineradora Vale registrava uma leve alta de 0,34%, acompanhada pela CSN, que liderava os ganhos industriais com avanço de 1,81%. Apesar disso, o clima predominante na B3 continua sendo de forte compasso de espera.
O que esperar das decisões monetárias globais
Os analistas de mercado apontam que os investidores já começaram o realinhamento de suas carteiras de ações. No cenário doméstico, a expectativa majoritária aponta para um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic. Em contrapartida, a tendência para o banco central americano é de manutenção dos juros básicos no patamar atual.
Além disso, os investidores locais avaliam indicadores econômicos importantes divulgados nesta manhã:
- Alívio na inflação: O IGP-10 registrou queda de 0,30% em junho, confirmando o recuo nos preços após a forte alta registrada no mês anterior.
- Varejo em queda: A Pesquisa Mensal do Comércio apontou que o volume de vendas no país encolheu 1,5% em abril na comparação mensal.
Movimentação internacional e a guinada no Japão
No ambiente externo, os mercados globais operam sem uma direção única. Contudo, o grande destaque do dia na Ásia foi a decisão do Banco do Japão. A autoridade monetária asiática elevou sua taxa de juros para 1%, registrando o maior patamar fixado desde o ano de 1995. A alta de 0,25 ponto percentual veio em total conformidade com as projeções dos economistas.
Na Europa, os índices acionários operam em sinal positivo, impulsionados pelo otimismo em torno das conversas de paz entre Washington e Teerã. Em Nova York, o Dow Jones avançava 0,52%, enquanto o S&P 500 operava perto da estabilidade. Em resumo, os olhos do mundo financeiro continuam fixos nos comunicados de amanhã. O desfecho da Super quarta do Copom definirá o humor dos mercados para o restante do mês.
Foto de capa: Unsplash