A suspensão das negociações entre o Irã e os Estados Unidos provocou uma escalada imediata nos preços internacionais de energia. Atualmente, a ameaça de bloqueio total ao Estreito de Ormuz fez o petróleo Brent disparar 7%, superando a marca de US$ 97 o barril. Como consequência, o cenário global de aversão ao risco gera fortes impactos no mercado brasileiro de curto e médio prazo.
- Pressão nos Treasuries: Os rendimentos dos títulos de 10 anos nos EUA atingiram 4,5% devido ao medo da inflação global.
- Fuga de capital: A alta dos juros americanos atrai investidores globais, desvalorizando o real e pressionando o câmbio doméstico.
O fantasma da inflação e a pressão sobre o Banco Central
Anteriormente, o mercado interno já monitorava o teto da meta inflacionária com preocupação. Com o novo choque de energia no Oriente Médio, a tendência é que a previsão do IPCA sofra novas revisões para cima nas próximas semanas. De fato, o encarecimento dos combustíveis fósseis possui um efeito cascata que atinge desde os custos de transporte até os preços dos alimentos.
Portanto, esse ambiente de estresse internacional dificulta o ciclo de corte de juros conduzido pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Para tentar segurar o repasse dessa alta cambial e energética aos preços locais, o Banco Central pode ser obrigado a manter a taxa Selic em patamares elevados por mais tempo. Como resultado, ocorrem severos impactos no mercado brasileiro, visto que o ritmo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) corre o risco de desacelerar.
Subvenção econômica e o desafio fiscal do governo federal
Por outro lado, o avanço do petróleo reacende o debate sobre a política de preços de combustíveis e as contas públicas. Se o governo decidir amortecer o repasse da alta internacional para os consumidores locais, o mecanismo de subvenção econômica precisará entrar em cena. Contudo, subsidiar o preço do diesel ou da gasolina demanda recursos diretos do Tesouro Nacional, pressionando o orçamento fiscal.
Além disso, setores que dependem de subvenções agrícolas e de crédito subsidiado podem enfrentar restrições, já que o governo precisará priorizar gastos emergenciais com energia. Dessa forma, a crise externa se transforma em um desafio duplo: conter a inflação nas bombas sem comprometer as metas fiscais de arrecadação e controle da dívida pública brasileira.
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