A equipe econômica projeta que o orçamento para 2027 entregará um superávit primário pela primeira vez em dez anos. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (17) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante audiência comissional na Câmara dos Deputados. A meta central estipula um saldo positivo de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o que equivale a cerca de R$ 73 bilhões nos cofres públicos.
- A promessa: “Vamos entregar o orçamento ano que vem com superávit fiscal pela primeira vez em uma década”, destacou Durigan.
- O contexto: Este será o primeiro ano fiscal sob a vigência do novo mandato presidencial.
O cabo de guerra: superávit vs. Pautas-bombas
Embora o plano do Ministério da Fazenda seja otimista, a trajetória fiscal do país enfrenta barreiras severas no poder legislativo. O avanço de pautas-bombas no Congresso Nacional surge como o principal fator de risco para a execução desse planejamento.
- O que está em jogo: Pautas-bombas são propostas de leis que criam despesas obrigatórias ou cortam receitas sem contrapartida.
- O impacto real: Se os deputados e senadores aprovarem gastos extras nos próximos meses, essas despesas podem anular a meta de R$ 73 bilhões positivos antes mesmo de o ano começar.
Analistas políticos alertam que o sucesso do orçamento para 2027 dependerá diretamente da capacidade de articulação do governo no Congresso. O desafio será negociar a votação de projetos e vetos para conter o avanço dessas despesas extras no parlamento.
Inflação sob monitoramento e o avanço dos investimentos
Durante a sessão, os parlamentares também questionaram Durigan sobre a resiliência dos preços domésticos. O relatório Focus mais recente mostrou que as projeções de inflação subiram pela 14ª semana consecutiva, atingindo 5,30%.
Apesar do cenário de alerta, o ministro assegurou que o indicador permanece sob controle. Ele enfatizou que a geração de 5,1 milhões de empregos e a expansão da atividade econômica acompanham a carestia.
- Atração de capital: A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede o nível de investimentos produtivos no país, avançou 3,5% no primeiro trimestre.
- Resistência técnica: O governo celebrou o resultado da FBCF, apontando que o setor produtivo continuou investindo mesmo diante das taxas de juros elevadas.
Comércio com EUA recua sob impacto de tensões no Irã
O ministro da Fazenda aproveitou o espaço para lamentar o enfraquecimento comercial entre o Brasil e os Estados Unidos. A participação americana na balança comercial brasileira encolheu de 12% em 2023 para os atuais 9%, motivada por atritos diplomáticos recentes.
Em contrapartida, o governo celebrou o fortalecimento das exportações para mercados alternativos, com destaque para a China e o Vietnã. Além disso, o Palácio do Planalto aposta no andamento do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul para compensar as perdas.
Por fim, ao avaliar os impactos econômicos da guerra no Irã, Durigan descartou qualquer risco de desabastecimento interno. O chefe da Fazenda admitiu pressões inflacionárias, mas pontuou que o reajuste de 6% a 10% na gasolina e de 15% no diesel está sendo combatido pela gestão federal.
Foto de capa: Ag. Brasil