A queda do preço do petróleo no mercado internacional movimentou os negócios e trouxe forte volatilidade ao cenário financeiro brasileiro nesta segunda-feira. Inicialmente, o Ibovespa demonstrou otimismo e chegou a romper a barreira dos 174 mil pontos no período da manhã. Contudo, o recuo da commodity energética no exterior pressionou os ativos locais, fazendo o principal índice da B3 recuar 0,42%, encerrando aos 170.415,13 pontos. O volume financeiro movimentado na sessão totalizou R$ 29,2 bilhões.
- Acordo geopolítico: O recuo nos valores ocorreu após o anúncio de um entendimento diplomático entre Estados Unidos e Irã para pacificar o Oriente Médio.
- Impacto na rota: A resolução reduz drasticamente os temores de bloqueio no Estreito de Ormuz, canal por onde transita 20% do abastecimento global de óleo bruto.
O custo do barril e o reflexo nos ativos brasileiros
A perspectiva de maior oferta global fez o custo do barril recuar para patamares não registrados desde o começo de março. O petróleo do tipo Brent para agosto recuou 4,76%, negociado a US$ 83,17, enquanto o WTI para julho caiu 4,87%, cotado a US$ 80,75. Como consequência direta, as empresas exportadoras brasileiras sofreram perdas em bloco.
Diante disso, os papéis ordinários e preferenciais da Petrobras registraram quedas respectivas de 5,30% e 5,15%. Paralelamente, a petroleira Prio liderou os recuos do segmento ao encolher quase 7% no pregão. Portanto, esse impacto gerado pela queda do preço do petróleo acabou neutralizando o desempenho positivo de companhias exportadoras de minério, como a Vale, e do setor de aviação, com a Embraer.
O panorama bancário e as pressões no cenário interno
A virada de tendência também atingiu o setor financeiro na segunda metade do dia. Muitas vezes, os grandes bancos iniciam o dia em alta institucional, mas acompanham a disposição de baixa dos índices acionários. As ações do Itaú fecharam em queda de 0,54%, padrão que se estendeu ao Bradesco, Banco do Brasil e Santander, deixando apenas o BTG Pactual em terreno positivo.
Além do cenário externo, o investidor doméstico calibrou posições devido aos fatores políticos regionais. Uma nova pesquisa eleitoral realizada pela BTG/Nexus apontou liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em simulações de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro. Com efeito, o mercado de câmbio operou com cautela, levando o dólar comercial a fechar com leve valorização, cotado a R$ 5,06.
O descolamento de Nova York e o rali das ações tecnológicas
Por essa razão, a bolsa brasileira operou na contramão dos índices norte-americanos, que fecharam o dia em patamares recordes. Isso acontece porque Wall Street reagiu com alívio institucional às projeções inflacionárias, em uma semana que antecede as decisões de juros do Fed e do Copom. Como resultado, o Dow Jones subiu 0,92%, o S&P 500 avançou 1,65% e o indicador Nasdaq saltou 3,07%.
Dessa forma, o apetite por ativos de risco nos Estados Unidos concentrou-se majoritariamente em companhias de inovação e tecnologia. O grande destaque do pregão internacional envolveu os papéis da SpaceX, que dispararam 19,58% em seu segundo dia de listagem pública na Nasdaq. No ambiente brasileiro, contudo, a retração nos termos de troca devido às commodities falou mais alto.
Foto de capa: Unisplash