A logtech mineira Shippify projeta ultrapassar R$ 200 milhões em faturamento ao contornar a exaustiva guerra fiscal de aplicativos de entrega. Enquanto concorrentes buscam subsídios, a empresa apostou em um modelo operacional que prioriza a retenção de seus parceiros logísticos.
- A companhia registrou um crescimento de 156% no faturamento ao longo do ano de 2025.
- O sucesso financeiro decorre, sobretudo, da mudança estratégica na forma de reter o entregador parceiro.
- A empresa mantém um Ebitda positivo de forma recorrente há três anos consecutivos.
O abandono da infraestrutura ociosa
O CEO Lucas Grossi promoveu uma virada fundamental no modelo de negócios da Shippify. Historicamente, logtechs investiam em galpões e frotas físicas antes mesmo de conquistar clientes. Esse formato, todavia, gera uma ociosidade custosa e exige muito capital de giro.
Desde 2022, a empresa inverteu essa lógica. Atualmente, a Shippify fecha contratos personalizados com gigantes, como Amazon, O Boticário, Keeta e 99, primeiramente. Só depois, a plataforma desenha uma malha logística sob medida. Essa estratégia garante o volume necessário para a operação, eliminando desperdícios e focando estritamente na demanda real.
Fidelização versus escassez de profissionais
O e-commerce brasileiro avança, contudo, em um ritmo muito mais veloz do que a entrada de novos motoristas. Para blindar-se dessa escassez sem entrar na guerra fiscal de aplicativos de entrega, a Shippify investiu em retenção.
A logtech lançou programas de recompensas, carteira digital própria e repasses semanais. Além disso, criou um marketplace interno que reduz o custo de manutenção dos veículos dos entregadores. Esse engajamento é vital: o motorista satisfeito roda mais, comete menos erros e reduz drasticamente o custo de atração de pessoal da plataforma.
Tecnologia como unidade de negócios
O foco tecnológico tornou-se, por fim, uma unidade de negócio independente. A empresa utiliza algoritmos avançados para precificar rotas com base em fatores sazonais e janelas de prazos. Esse modelo prova ao ecossistema nacional que a sustentabilidade financeira, no last mile urbano, depende de eficiência de dados, e não de tarifas predatórias.
Com informações da Exame