Os turistas chineses no Brasil expandiram sua presença em 35% no último ano, mantendo um ritmo de alta acima de 33% nos primeiros quatro meses de 2026. Essa arrancada histórica não acontece por acaso, sendo o resultado direto de uma reformulação diplomática somada ao enriquecimento da população asiática. Como consequência, o país assume o topo da preferência na América do Sul e transforma o perfil do consumo de viagens no território nacional.
• Derrubada de barreiras: O fim da burocracia consular facilitou o embarque imediato, encurtando a distância entre os dois países.
• Vitrine digital: Canais de vendas focados no público asiático passaram a expor os roteiros nacionais diretamente nos celulares dos clientes.
Três pilares que explicam a explosão de desembarques
Anteriormente, o planejamento de uma viagem da Ásia para a América Latina esbarrava em entraves financeiros e excesso de papéis. O cenário mudou quando o governo brasileiro aplicou a reciprocidade diplomática, liberando a entrada sem visto para os cidadãos da China após Pequim adotar a mesma medida para os brasileiros. Essa facilidade eliminou o custo e o tempo de espera que travavam os agendamentos.
Ademais, o enriquecimento da classe média chinesa aumentou o poder de compra dessa população, que agora bate recordes de gastos no exterior. Para capturar a atenção de mais turistas chineses no Brasil, a Embratur reestruturou sua estratégia de marketing: treinou agentes na plataforma Brasil Travel Specialist em mandarim, marcou presença na feira ITB China e garantiu a inserção dos nossos destinos na gigante do setor Trip.com. Além disso, o calendário oficial do “Ano da Cultura Brasil-China” deu uma visibilidade inédita às riquezas nacionais no continente asiático.
O novo comportamento de consumo e o foco na biodiversidade
Por essa razão, o perfil das viagens também se transformou, distanciando-se do tradicional turismo de negócios de antigamente. Os novos viajantes buscam vivências imersivas de alto valor, colocando os biomas preservados da Amazônia, do Pantanal e das Cataratas do Iguaçu no centro de seus roteiros de ecoturismo. Da mesma forma, grandes espetáculos do folclore nacional, como o Carnaval e o Festival de Parintins, exercem forte poder de atração magnética.
Dessa forma, ao compreender exatamente o que move esse público, o mercado nacional de serviços ganha previsibilidade para se adaptar. Adequar o atendimento ao idioma e aos hábitos desses clientes é o próximo passo necessário para consolidar essa liderança regional. Desse modo, o país colhe os frutos de uma aproximação bem planejada que dita os novos rumos da economia da hospitalidade.
Foto de capa: Getty Images