Projeções do Bank of America indicam valorização do dólar no segundo semestre com foco em juros e tecnologia

A valorização do dólar no segundo semestre de 2026 pode ser sustentada por um tripé estratégico apontado em relatório recente do Bank of America. O cenário desenhado pela instituição sugere que a dinâmica cambial será fortemente influenciada pela política monetária, pela geopolítica energética e pela intensidade dos investimentos em inovação tecnológica.

  • A “desconexão” com o mercado: Enquanto o mercado financeiro precifica um ajuste tímido, projeções de instituições globais sugerem a continuidade do aperto monetário pelo Federal Reserve. Há possibilidade de três novas rodadas de altas de juros até o final do ano.
  • O fator IA: Os investimentos bilionários das Big Techs americanas, estimados em patamares substancialmente superiores aos observados em empresas estrangeiras, atuam hoje como um motor de sustentação para a moeda. Isso reforça seu papel como ativo de segurança e crescimento.

A força dos diferenciais de juros e o peso da energia

Relatórios recentes de inflação mostraram dados abaixo do esperado. Mesmo assim, o Fed mantém o foco na meta de 2%. Isso sustenta o diferencial de juros reais e por consequência, protege o dólar contra quedas. Contudo, a volatilidade das commodities ainda afeta o ambiente. Tensões no Estreito de Ormuz elevaram o preço do petróleo. Essa alta cria uma barreira contra desvalorizações da moeda, pois o dólar acompanha a trajetória do barril.

Além da política monetária, o setor de tecnologia impõe uma nova camada de pressão sobre a inflação estrutural. Dessa forma, mesmo com o arrefecimento geral dos preços, os custos de semicondutores, memória e energia elétrica seguem em ascensão. Esses insumos são essenciais para a expansão da Inteligência Artificial. Essa dinâmica sugere que, para controlar a inflação, o banco central americano pode adotar uma postura mais agressiva. Isso superaria as expectativas atuais dos investidores.

Pontos de observação para CFOs, investidores e empresários

  • Gestão de Passivos: CFOs devem considerar a possibilidade de o diferencial de juros permanecer elevado por mais tempo, impactando o custo de dívidas em moeda estrangeira e a estratégia de hedge cambial.
  • Monitoramento de Custos: A escalada nos investimentos de IA sugere que a demanda por insumos de alta tecnologia não deve cessar, o que pode manter pressões em cadeias de suprimentos globais.
  • Leitura de Sentimento: O otimismo do mercado futuro próximo de máximas históricas pode esconder fragilidades; é fundamental que investidores não se deixem levar pelo consenso, baseando-se em indicadores de sentimento e na volatilidade real das opções.

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