O acordo entre o Mercosul e o Japão voltou ao centro das discussões diplomáticas nesta terça-feira (16). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, reuniram-se na França durante a cúpula do G7 para tratar do tratado comercial. Na ocasião, o chefe do Executivo brasileiro classificou a potencial parceria econômica como “virtuosa”. Além disso, ele convidou a líder asiática para uma visita oficial ao Brasil para aprofundar os termos da cooperação bilateral.
- A pauta dos minerais: A primeira-ministra do Japão defendeu a ampliação de esforços conjuntos para diversificar a oferta global de minerais críticos.
- O papel das economias ricas: O governo brasileiro aproveitará os debates do G7 para cobrar o financiamento internacional de ações contra a pobreza.
A estratégia de aproximação comercial de longo prazo
A aproximação com o mercado japonês representa uma meta antiga da diplomacia brasileira. O presidente defende a assinatura do tratado comercial desde o início de seu mandato presidencial. Portanto, a reunião atual busca acelerar os termos que os representantes técnicos começaram a desenhar no ano passado.
Por outro lado, a delegação do Japão demonstra forte interesse estratégico nos recursos naturais da América do Sul. A busca por segurança no abastecimento de matérias-primas industriais move o interesse de Tóquio. Em resumo, os dois países tentam alinhar as demandas de manufatura de alta tecnologia com a capacidade de fornecimento do bloco sul-americano.
Soberania nacional e o mercado de terras-raras
A exploração de minerais críticos e terras-raras também ocupa um espaço central na agenda brasileira durante o evento na França. O governo federal pretende defender publicamente a valorização desses recursos minerais dentro dos próprios países de origem. De acordo com interlocutores da comitiva, essa postura reflete uma estratégia de preservação da soberania nacional.
Desse modo, o Brasil tenta evitar a mera exportação de matéria-prima bruta sem valor agregado. A equipe econômica deseja atrair investimentos industriais para o território brasileiro. Assim, as empresas nacionais poderiam participar diretamente das etapas de processamento e refino desses componentes tecnológicos valiosos.
Limitações do Brasil nos debates finais do G7
Esta viagem marca a décima participação do presidente brasileiro em encontros do G7 na condição de líder convidado. Como o Brasil não integra formalmente o grupo das sete economias mais desenvolvidas do mundo, a comitiva não participará da redação dos documentos oficiais de encerramento.
Contudo, os diplomatas brasileiros poderão aderir aos manifestos e textos de interesse nacional após a aprovação dos membros fixos. A agenda de quarta-feira (17) ainda inclui painéis sobre crescimento equilibrado e um almoço com executivos do setor tecnológico para debater inteligência artificial. Até lá, o mercado monitora se o acordo entre o Mercosul e o Japão ganhará um cronograma definitivo de votação.
Foto de capa: Ricardo Stuckert/PR