A apenas dois dias do segundo turno das eleições presidenciais, a prévia da inflação oficial do país trouxe um recado direto ao bolso do eleitorado brasileiro. O IPCA-15 subiu 0,32% em outubro, acumulando alta de 4,62% em 12 meses e reacendendo a pressão sobre os itens essenciais da mesa das famílias.
Apesar da desaceleração em relação a setembro (quando o índice cravou 0,70%), a alta generalizada dos alimentos tornou-se o grande motor de preocupação social e debate político nesta reta final de campanha.
O peso da feira na véspera da votação
O grupo Alimentação e Bebidas foi o grande vilão do mês, registrando salto de 0,88% em outubro. A alimentação no domicílio ficou ainda mais pesada (1,01%), puxada por altas expressivas em itens básicos da cesta de compras:
- Tomate: disparou 24,54%;
- Cebola: saltou 13,63%;
- Batata-inglesa: subiu 10,96%;
- Arroz: avançou 5,80%.
Alimentar-se fora de casa também ficou mais caro no período, passando de 0,44% em setembro para 0,56% em outubro. O movimento foi impulsionado pelo aumento nos preços das refeições e dos lanches.
Luz elétrica dá trégua, mas combustíveis sobem
Entre os nove grupos analisados pelo IBGE, oito registraram variação positiva em outubro. A única exceção foi a área de Habitação (-0,10%), impulsionada pelo alívio na conta de luz residencial (-0,89%) graças ao retorno da bandeira tarifária verde.
Por outro lado, o setor de Transportes (0,05%) sentiu a alta dos combustíveis (1,20%), com destaque para o óleo diesel (3,70%), o etanol (2,73%) e a gasolina (0,92%). Esse impacto nas bombas só não foi maior devido à queda acentuada das passagens aéreas (-9,24%).
Informações relevantes para o mercado
- Aderência eleitoral: A alta concentrada na cesta básica amplia o peso da pauta econômica nas urnas neste domingo (25). Trata-se de um momento em que o custo de vida é decisivo para a escolha do eleitor.
- Teto da meta no radar: O indicador acumulado em 12 meses (4,62%) supera o patamar de 12 meses imediatamente anterior (4,47%), mantendo o Banco Central em estado de alerta para o balanço de riscos da política monetária.
- Impacto em serviços: O avanço em Vestuário (0,53%) e Despesas Pessoais (0,55%) mostra que a inflação ainda se espalha pela cadeia de serviços no segundo semestre.
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