Saiba quais são os ativos mais eficientes para PJ
Administrar os ativos mais eficientes no cenário de incertezas brasileiro para PJ é um desafio para diretores financeiros, contadores e empresários. Manter o caixa de uma Pessoa Jurídica (PJ) parado na conta corrente significa perder poder de compra para a inflação setorial. Por outro lado, alocar esses recursos em ativos errados pode travar o capital de giro ou gerar uma mordida desnecessária de impostos. No ambiente corporativo, a eficiência de um ativo vai além do seu rendimento bruto; ela exige a combinação de três fatores: segurança, liquidez imediata e impacto fiscal.
A armadilha fiscal da renda fixa para empresas
O primeiro erro cognitivo na transição da Pessoa Física para a jurídica é buscar os mesmos produtos financeiros. Nesse sentido, ativos populares como LCI, LCA e Debêntures Incentivadas, que contam com isenção de Imposto de Renda para o investidor individual, são tributados na Pessoa Jurídica.
Para a empresa, quase todas as aplicações de renda fixa seguem a tabela regressiva do Imposto de Renda. A tabela varia conforme o prazo em que o dinheiro fica aplicado:
- Até 180 dias: 22,5%
- De 181 a 360 dias: 20%
- De 361 a 720 dias: 17,5%
- Acima de 720 dias: 15%
Além disso, resgates feitos antes de 30 dias sofrem a incidência do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que pode consumir até 96% do rendimento do primeiro dia. Portanto, a eficiência começa no desenho dos prazos de resgate.
1. CDBs com liquidez diária: o arroz com feijão da tesouraria
Para o dinheiro que banca a operação do mês — a folha de pagamento, bem como fornecedores e impostos —, o destino ideal são os CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com liquidez diária que pagam perto de 100% do CDI.
- Vantagem: Pode haver resgate do dinheiro a qualquer momento para cobrir uma emergência de fluxo de caixa.
- Filtro de segurança: É vital que a instituição financeira ofereça o chamado “resgate automático”. Isso permite que o caixa renda até o segundo exato em que o boleto é compensado.
2. Fundos DI Simples (taxa zero): praticidade para grandes volumes
Para empresas que gerenciam volumes maiores de caixa e buscam diversificação sem complicação, os Fundos DI Simples são excelentes alternativas. Eles aplicam pelo menos 95% do patrimônio em Títulos Públicos Federais (Selic).
- Vantagem: Alta segurança (risco soberano do governo) e liquidez em D+0 (no mesmo dia).
- Filtro de segurança: A tesouraria deve fugir de fundos que cobram taxa de administração acima de 0,2% ao ano, pois a taxa alta corrói o ganho corporativo. O ideal são os fundos de “taxa zero”.
- Atenção ao come-cotas: Esses fundos sofrem a antecipação de IR (o famoso “come-cotas”) em maio e novembro. Logo, isso deve ser provisionado pelo fluxo de caixa.
3. Títulos Públicos via Tesouro Direto Coletivo (Tesouro Selic)
Embora o Tesouro Direto tradicional seja exclusivo para Pessoa Física, as empresas podem acessar os mesmos títulos públicos (como a LFT – Tesouro Selic) abrindo uma conta PJ diretamente em uma corretora de valores.
- Vantagem: É o ativo de menor risco de crédito do mercado brasileiro. Ideal para o “caixa de reserva” — aquele dinheiro que a empresa não vai usar nos próximos meses, mas precisa estar disponível em caso de virada de mercado.
Estratégia de segmentação de caixa
A tesouraria eficiente divide o caixa em três caixas virtuais:
- Caixa operacional (Liquidez D+0): CDBs diários para as despesas da semana.
- Caixa de curto prazo (liquidez D+1): Fundos DI de taxa zero para despesas do fim do mês.
- Caixa estratégico (prazos de 90 a 180 dias): CDBs com prazo fechado (sem liquidez diária), que oferecem taxas maiores (ex: 103% a 105% do CDI), aproveitando que esse recurso só será usado no planejamento de médio prazo.
Gerenciar o caixa PJ com foco em eficiência de ativos não é sobre especular para bater o mercado, mas sim sobre garantir que a estrutura financeira da empresa permaneça sólida, líquida e protegida contra a inflação, maximizando o lucro líquido real após os impostos.
Foto de capa: Pexels