O impacto do tarifaço na indústria nacional coloca em alerta setores estratégicos como metalurgia, celulose e alimentos. A proposta de elevação tributária, que pode atingir 37,5% em alíquotas cumulativas, ameaça US$ 14,9 bilhões em vendas anuais brasileiras para o mercado dos EUA.
- A taxação afeta diretamente 4.187 produtos brasileiros, com a metalurgia respondendo pela maior fatia das exportações sob risco.
- Representantes do setor produtivo e o governo negociam em Washington para reverter as medidas ou ampliar a lista de isenções.
A estrutura tarifária sob análise, baseada na Seção 301, propõe um adicional de 25% somado a uma barreira de 12,5% por alegações de trabalho forçado. Atualmente, os produtos já enfrentam uma sobretaxa temporária de 10%, que expira no próximo dia 24 de julho. A incerteza regulatória, contudo, gera instabilidade imediata para as companhias exportadoras.
O setor mais afetado
O setor metalúrgico lidera a exposição dos efeitos do tarifaço na indústria brasileira, com destaque para o ferro-gusa não ligado, que representa sozinho quase 14,17% do total. Além disso, o protecionismo norte-americano atinge cadeias de valor integradas, como a indústria química, madeireira e de processamento de alimentos, incluindo açúcar e carnes.
A ofensiva diplomática brasileira busca um acordo definitivo até o dia 15 de julho. Enquanto o governo tenta negociar, o mercado observa o desenrolar das audiências públicas no USTR. O clima de diálogo nas tratativas oferece um fio de esperança, embora a posição norte-americana permaneça rigorosa em suas exigências.
Para CFOs e investidores, o risco reside na compressão das margens operacionais de empresas com alta dependência do mercado dos EUA. A oportunidade estratégica exige a revisão urgente de contratos de exportação e a diversificação de mercados compradores, antecipando uma possível redução da competitividade brasileira caso as alíquotas se consolidem. A volatilidade cambial e o custo de novas barreiras tarifárias devem ser precificados nas projeções de fluxo de caixa para o próximo semestre.
Foto de capa: Presidente da CNI, Ricardo Alban/ Ag. CNI