O impacto do El Niño no custo da energia coloca, atualmente, o setor corporativo em estado de alerta máximo. A combinação de eventos climáticos extremos pressiona, simultaneamente, nossa matriz elétrica e a produtividade agrícola, criando um efeito cascata que exige, portanto, ajustes imediatos na gestão financeira das companhias.
- Matriz pressionada: A seca prolongada reduz severamente os níveis dos reservatórios, forçando, assim, o acionamento de usinas termelétricas, que geram energia a um custo operacional muito mais elevado.
- Crise no campo: O estresse térmico compromete a safra de café em regiões produtoras, reduzindo a oferta global e impulsionando, por consequência, a volatilidade dos preços nas bolsas.
O choque energético e o impacto no CMV
A dependência hídrica do subsistema Sudeste/Centro-Oeste torna a indústria brasileira vulnerável às variações climáticas. Quando o El Niño reduz o volume das chuvas, o Operador Nacional do Sistema (ONS) precisa ativar as térmicas para garantir o suprimento, o que encarece a tarifa final.
Consequentemente, para indústrias eletrointensivas — como a siderurgia e o setor químico — o impacto do El Niño no custo da energia reflete diretamente no Custo das Mercadorias Vendidas (CMV). O repasse via bandeiras tarifárias atua como um imposto invisível, reduzindo a margem de lucro operacional. Por causa disso, muitas empresas buscam alternativas de eficiência energética ou migram para o Mercado Livre de Energia, focando em fontes renováveis.
A crise do café e a desordem na cadeia de suprimentos
Além da energia, o agronegócio enfrenta um cenário crítico no Sul de Minas, Espírito Santo e São Paulo. As anomalias de temperatura têm provocado o abortamento de floradas, o que reduz drasticamente a produtividade por hectare.
Este choque de oferta eleva as cotações do café arábica e robusta nas bolsas de Nova York e Londres. Em razão disso, para torrefadoras e indústrias de alimentos, surge uma pressão intensa sobre o capital de giro. Com o aumento do preço da matéria-prima, as empresas precisam revisar contratos de longo prazo e fortalecer suas estratégias de hedge para evitar, assim, rupturas no abastecimento.
Riscos macroeconômicos e o alerta de inadimplência
O efeito combinado da inflação de custos energéticos com o choque de oferta alimentar desafia a resiliência da economia brasileira. Adicionalmente, o encarecimento do crédito agrícola eleva o risco de default entre produtores rurais, o que impacta diretamente instituições financeiras e fornecedores.
Portanto, gestores financeiros devem monitorar a volatilidade do mercado com atenção. A proteção cambial tornou-se um diferencial competitivo, já que a exportação de commodities dita o fluxo de caixa do setor. Em um cenário de incertezas, a prudência na alocação de recursos deixou de ser mera burocracia para se tornar, essencialmente, uma questão de sobrevivência estratégica.
Com informações Times Brasil e ONS • Foto de capa: Daniel Medeiros; Embrapa