O IPCA abaixo da expectativa apresentou uma surpresa positiva em junho, registrando uma alta de apenas 0,16%. Este desempenho ficou significativamente abaixo das expectativas do mercado, trazendo um novo fôlego para a economia. Consequentemente, o índice acumulado em 12 meses atingiu 4,64%, o que reforçou as projeções de economistas para uma trajetória de alívio na taxa básica de juros.
O que explicou o recuo na inflação?
Diversos fatores contribuíram para que o índice viesse abaixo do esperado em junho. Primeiramente, o grupo de Alimentação e Bebidas registrou uma queda de 0,24%. Esse movimento foi impulsionado, sobretudo, pela redução nos preços de itens essenciais, como o café moído, frutas e carnes.
Além disso, os combustíveis apresentaram um recuo generalizado, o que gerou um alívio imediato no bolso do consumidor. Por outro lado, o grupo Habitação ainda exerceu pressão sobre o índice, principalmente em razão do custo da energia elétrica residencial. Contudo, a força dessa alta foi contida pela deflação observada nos alimentos, garantindo um resultado final mais moderado.
O Copom e a expectativa de queda na Selic
Diante desse cenário, a expectativa predominante no mercado financeiro para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para os dias 4 e 5 de agosto de 2026, é de um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic. Caso essa previsão se concretize, a taxa básica de juros passará dos atuais 14,25% para 14,00% ao ano.
A mudança na percepção do mercado
Houve uma mudança na percepção do mercado ao longo de junho. No início do mês, cerca de 75% dos agentes apostavam na manutenção dos juros. Hoje, o cenário se inverteu: os contratos de opções do Copom na B3 indicam 75,5% de probabilidade de corte de 0,25 p.p.
Atualmente, dados dos contratos de Opções de Copom na B3 indicam que a probabilidade de um corte subiu para 75,5%. Em contrapartida, a chance de manutenção da taxa em 14,25% recuou para cerca de 21%. Por fim, um corte mais agressivo, de 0,50 ponto percentual, é visto como improvável, detendo apenas 2,3% de probabilidade.
O que o Banco Central observa?
O Banco Central segue monitorando variáveis críticas antes de tomar sua decisão. Os principais pontos de atenção são:
- Dados domésticos: A surpresa positiva com o IPCA de junho pavimentou o caminho para a continuidade dos cortes.
- Cenário externo: O comitê permanece atento ao nível dos juros nos Estados Unidos e às oscilações constantes no preço do barril de petróleo.
- Câmbio: A volatilidade e as projeções para o dólar presentes no Relatório Focus exigem cautela redobrada por parte do colegiado.
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